Bebês com microcefalia estão sem remédio para convulsão há seis meses em AL

11/04/2017 - 13:59 -
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Os bebês que nasceram com microcefalia e apresentam problemas de convulsão estão há pelo menos seis meses sem receber a medicação para o tratamento do problema em Alagoas, relatam as famílias.

(UOL, 11/04/2017 – acesse no site de origem)

O remédio Sabril (Vigabatrina) está em falta na farmácia do Estado. A caixa do remédio custa R$ 300, e muitas famílias estão reduzindo as doses da medicação, pedindo ajuda a amigos e familiares ou mesmo deixando de dar o remédio. A Secretaria do Estado afirma que será feita uma compra emergencial do medicamento.

Leia mais: Impacto de longo prazo do zika no País pode chegar a R$ 36 bi (Estadão.com, 06/04/2017)

Anne Carolina Rosa é mãe do pequeno Moisés, de um ano e dois meses, e conta que está dando doses menores que as receitadas por falta de dinheiro.

“A caixa vem 60 comprimidos, e a médica passou para dar um comprimido pela manhã e uma metade à noite. Como não tenho dinheiro, estou dando só a dose da manhã”, explica a moradora de Maceió.

Rosa conta que já cansou de procurar a farmácia do Estado em busca do remédio –sempre sem resposta positiva.

“Desde dos oito meses dele que vou na Farmácia do Estado e dizem que não chegou, que não tem previsão. Ele toma dois remédios, o outro é bem mais barato, custa R$ 16, aí eu posso comprar. Mas Sabril não dá”, afirma.

Rosigleide Silva também tem um filho de um ano e dois meses e conta que precisou pedir ajuda para comprar o medicamento no mês passado. “Eu não fui a farmácia do Estado porque sei que não tem, mas vou fazer também meu cadastro para receber quando chegar”, conta.

Tratamento prejudicado

Segundo a neuropediatra Adriana Saldivar, que acompanha bebês com microcefalia na Associação Pestalozzi de Maceió, não há remédios que substituam o Sabril com os mesmos efeitos e qualidade.

“Ele é um remédio para a da Síndrome de West, que é um tipo de epilepsia grave e que grande parte das crianças vem desenvolvendo”, afirmou. “Existem alguns remédios que usamos no lugar, mas que têm mais riscos e menos efetividade”, complementa.

Segundo ela, a medicação é fundamental para o desenvolvimento das crianças. “A
falta tem prejudicado muito. Quando o pai não tem condições, tenho que trocar pelo
que é possível. Mas a falta desse remédio leva a piora clínica do paciente porque
você tem um plano a seguir com o remédio. Quando falta, acontece uma regressão
de desenvolvimento, que já é ruim”, alega.

Compra emergencial

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde não informa o porquê da falta por tanto tempo e diz apenas que está em um processo de aquisição emergencial do medicamento.

Apesar de não haver indicação médica, a Secretaria defende que, até a chegada do
medicamento, os pacientes peçam aos médicos e tomem outras medicações.

“A Sesau esclarece, no entanto, que as mães dos pacientes com microcefalia podem solicitar aos médicos que prescrevam, ao invés do Sabril, os medicamentos
Lamotrigina, Topiramato ou Gabatentina, que também são anticonvulsionantes e
estão disponíveis no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
(Ceaf) de Alagoas”, diz.

Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Maceió