Globo de Ouro: O que você precisa saber sobre os protestos da premiação

07/01/2018 - 14:27 -
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A edição de 2018 do Globo de Ouro, que acontece neste domingo, 7, trará o maior protesto feito até agora contra os assédios e abusos sexuais praticados em Hollywood — que foram massivamente denunciados e expostos no último ano, roubando o spotlight de qualquer filme que concorra ao prêmio.

(UOL, 07/01/2017 – acesse no site de origem)

Por trás da iniciativa das mulheres que vestirão preto na data, no entanto, há uma ação muito maior, a “Time’s Up”. Entenda:

O que é?

A “Time’s Up Now” ou #TimesUp é uma campanha para estimular práticas que combatam e previnam o assédio e o abuso sexual dentro e fora da indústria do cinema.

Leia mais: 
Globo de Ouro 2018: ‘Big Little Lies’ e ‘Três anúncios para um crime’ são os maiores ganhadores (G1, 08/01/2018)
Globo de Ouro 2018: Oprah Winfrey ganha homenagem e faz discurso sobre força das mulheres, assédio sexual e racismo (G1, 08/01/2017)

Quais são as suas atividades?

É possível que todas as atividades relacionadas à campanha não tenham sido ainda divulgadas ou concebidas.

Mas, ao lançar a iniciativa através de seu site, as criadoras propuseram um material educacional sobre como lidar com um sobrevivente de violência sexual ou como procurar ajuda legal e emocional se você é um, ofereceram informações sobre órgãos que já atendem homens e mulheres nestas situações de fragilidade, além de lançar um compromisso público de propor legislação que combate a prática e atenda quem sofreu com ela.

It’s time to shift the balance in the workplace, from representing the few to representing us all. #TIMESUP

Uma publicação compartilhada por #TIMESUP (@timesupnow) em

Suas duas ações de impacto mais direto, no entanto, são o protesto que trará as mulheres de preto (e os homens com o pin do movimento) à premiação, além da promoção de um Fundo de Defesa Legal para sobreviventes de violência sexual, com que grandes players do cinema, além do público pode contribuir com doações.

O dinheiro será revertido para quem quer buscar justiça contra os seus agressores, mas não tem meios financeiros para tal.

Quem a faz?

Um grupo de 300 mulheres da indústria da tevê e do cinema, entre elas Reese Witherspoon, America Ferrera, Eva Longoria, Ashley Judd, Emma Stone, Rashida Jones, Kerry Washington e Shonda Rhimes, se reuniu para discutir as medidas que poderiam ser tomadas contra os assédios e conta hoje com o apoio de executivos, agências de talentos e produtoras como a “Bad Robot” de J.J. Abrams, nas ações.

O Fundo de Defesa Legal da “Time’s Up” é liderado pelas advogadas Nina Shaw e Tina Tchen, que era até 2016 a chefe de gabinete de Michelle Obama.

Como ela surgiu?

Depois que um grupo de 700 mil trabalhadoras rurais enviou uma carta de solidariedade às mulheres de Hollywood em novembro, dizendo que elas são “irmãs”, que em ambas as indústrias mulheres experimentam os mesmos tipos de abuso e que elas estão juntas na luta contra a violência sexual e a cultura do estupro, as mulheres do show business decidiram se organizar para buscar mudanças no cenário para todas.

A carta foi extensivamente publicada nas redes sociais pelas atrizes, entre elas, Natalie Portman, que criou conta no  Instagram exclusivamente para se unir e acompanhar o movimento:

#timesup Link in bio.

Uma publicação compartilhada por Natalie Portman (@nportmanofficial) em

O que ela muda na indústria?

Entre as diretrizes da “Time’s Up” está a negociação igualitária de salários para homens e mulheres, a exigência de maior representatividade nas posições de poder de projetos na indústria, apoio (inclusive legal) aos sobreviventes que relatarem violência, levantamento de dados sobre o cenário de representatividade e exigência da paridade de gênero em estúdios e agências — o que pode mudar como Hollywood é gerida enquanto negócio.

É possível (e espera-se) que, nas telas, acompanhemos nos próximos anos mais projetos femininos ganhando destaque como resultado direto da organização do movimento, que envolve muitas figuras importantes do cinema e da tevê seja na frente ou atrás das câmeras.

Mariana Araújo