Programa Viva Maria é referência na história do rádio e da luta pelos direitos das mulheres

12/10/2017 - 14:22 -
Print Friendly, PDF & Email
Email this to someoneShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0

No dia 14 de setembro de 1981, nascia, na Rádio Nacional AM de Brasília,  o programa Viva Maria. Junto com o programa estreava também, como apresentadora, a jornalista e radialista Mara Régia, dona que vem marcando a vida de mulheres em todo Brasil.

(Radioagência Nacional, 12/10/2017 – acesse no site de origem)

A inspiração vem da história de vida da própria Mara Régia, que ainda na infância sonhava em poder ajudar  mulheres que, assim como a sua mãe, sofriam com a violência doméstica.

SONORA: “A semente do Viva Maria foi plantada na minha infância, quando infelizmente a minha mãe, vitima de violência doméstica me ensinou os primeiros passos de tentar se libertar numa época em que isso era muito difícil porque as mulheres não tinham o direito de se divorciar muito menos separarem dos maridos, tinham que sofrer calada. (…) Em um desses momentos difíceis, devia ter uns 8 anos eu pensei: Quando eu crescer eu vou fazer alguém coisa para as mulheres não sofrerem, para as mulheres não apanharem de seus maridos.”

A história do Viva Maria se confunde também com a história da luta das mulheres no Distrito Federal, na Amazônia e em tantos outros lugares do país. Na conta desse programa estão mobilizações que deram origem a construção da primeira delegacia da mulheres da capital federal, foi berço para a criação do Fórum de Mulheres do DF e foi responsável por pressionar parlamentares para a inclusão, na Constituição Federal,  de direitos até hoje caro às mulheres, como a licença maternidade de 120 dias, licença paternidade, creche de zero a seis anos.

Como as ondas da Nacional de Brasília, são também as ondas da Nacional do Rio de Janeiro, da Amazônia, do Alto Solimões… o Viva Maria adentrou, dos concretos à Floresta e foi mudar a vida de mulheres, algumas delas que nunca tinham ouvido falar sobre seus direitos, sobre as especificidade dos seus corpos… Algumas, que tinham  as vidas sombreadas pelo machismo e pelo patriarcado, fortes características da cultura brasileira.

O Viva Maria na sua jornada encorajou mulheres e mudou a vida de pessoas como Kennya Silva ouvinte fiel do programa.

SONORA: “O programa Viva Maria na minha vida, especialmente, ele é divisor de águas.  Foi através desse programa que a poesia que eu fiz em homenagem as trabalhadoras rurais, “Uma Maria Quarquer” teve visibilidade e conquistou o coração das mulheres da amazônia. Essa poesia acabou virando representação dessas mulheres, e ao mesmo tempo essas mulheres se identificando com esse poema, escreviam para o programa da Mara, que por sua vez também me impulsionavam. E foi através disso que eu voltei para faculdade, voltei para a escola, na verdade, tinha nem terminado o fundamental. Hoje eu sou pós em língua portuguesa Graças a Deus e a essa força dessas  mulheres que me incentivaram através do Viva Maria.”

Outra Maria que teve a vida cruzada por esse programa foi a escritora Sônia Hirsch.

Especializada em saúde e bem estar de mulheres, chegou pelas longas ondas curtas que carregam o Viva Maria pelo Brasil, em locais nunca antes imaginados por ela.

Sônia conta como foi a primeira participação no Viva Maria há 34 anos.

Sonora: “Quando eu cheguei na rádio para dar entrevista para Mara Régia eu tive uma surpresa maravilhosa. Porque eu encontrei ali uma pessoa que vibrava com o assunto, que vibrava com a saúde, que vibrava por eu ser uma escritora mulher e por estar levantando bandeiras para favorecer o bem estar das pessoas. Naquela época assim como hoje … era difícil encontrar um jornalista que tivesse uma simpatia pela questão do bem estar. E ali também foi uma surpresa para mim que eu encontrei uma feminista bacana com uma linguagem acessível lidando com a mulher do povo, a mulher da amazônia, a mulher que escrevia cartinha para radio.”

A história do Viva Maria foi reconhecida como de importância para a visibilidade feminina  em 1990, quando o dia 14 de setembro foi reconhecido como o Dia latino-americano e caribenho da imagem da mulher nos meios de comunicação. E em 2016, nesta data foi também fundada a Rede de Jornalistas com visão de Gênero das Américas fazendo chegar o legado desse programa a ainda mais mulheres no mundo.

Com sonoplastia de Messias Melo. Da Rádio Nacional em Brasília, Mariana Martins