Livros didáticos falarão sobre igualdade de gênero a partir de 2019, diz governo

09/05/2017 - 11:49 -
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A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, afirmou nessa terça-feira (9) que os livros didáticos para as escolas públicas contarão, daqui a dois anos, com textos e conteúdo propondo a discussão da igualdade de gênero nas escolas.

(G1, 09/05/2017 – Acesse o site de origem)

Em evento para discussão dos números divulgados pela pesquisa Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em março deste ano, a secretária afirmou que um dos pontos que mais chamou a atenção foi o fato de “muitas mulheres” não reconhecerem no primeiro momento que tinham sido agredidas. A pesquisa aponta 4 milhões de mulheres agredidas em 2016 no país.

A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes (Foto: Graziele Frederico/G1)
A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes (Foto: Graziele Frederico/G1)

“As pessoas ainda não sabem o que de fato é a violência.” Fátima Pelaes afirmou ter “enorme preocupação com a nova geração que continua repetindo e sofrendo a violência e de como o machismo está tão forte ainda na sociedade”.

Questionada sobre as declarações do presidente Michel Temer no Dia Internacional da Mulher sobre o papel das mulheres na economia doméstica ou a ausência de mulheres nos ministérios do governo, Fátima afirmou não “julgar o presidente pelo que ele fala mas pelo que ele faz”.

Segundo ela, a Secretaria de Políticas para Mulheres tem avançado nos programas e não teve cortes expressivos em nenhum dos recursos destinados ao combate à violência.

Para a secretária, o “fundamental” é que a desigualdade entre homens e mulheres ainda é muito alta e a violência doméstica é um reflexo disso.

Violência

O juiz Ben-Hur Viza, titular do Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, afirmou que, diante da pesquisa Datafolha, “é preciso investimento no combate e na cultura dessa violência dentro de casa”.

“O que contamos para nossos filhos? O que é a história da Pequena Sereia? Ela teve que dar a voz para ganhar um príncipe. O que se propaga com isso?”

Para o juiz, há uma falta de investimento governamental no combate à violência contra mulher, desde a criação de varas especializadas, mas também em uma mudança na maneira como a violência é vista.

“É um filho que vê o pai reagindo com violência por ser contrariado, e entende que pode reagir assim quando suas vontades não forem atendidas.”

Segundo a diretora do Fórum, Samira Bueno, “há diversas frentes em que o combate à violência contra mulher deve atuar”. Entre essas está a coleta de dados constantes. Samira afirma que o fórum tenta um diálogo com o IBGE para incluir questões sobre violência contra mulher no censo mensal que é feito pelo órgão. Os últimos dados do IBGE sobre o assunto datam de 2009.