Nadine Gasman e Camila Pitanga defendem empoderamento econômico das mulheres em encontro com empresas em São Paulo

02/06/2018 - 17:24 -
Print Friendly, PDF & Email
Email this to someoneShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Representante da ONU Mulheres e embaixadora nacional afirmam que igualdade de gênero é boa para os negócios e para a distribuição equitativa das riquezas

(ONU Mulheres, 02/06/2018 – acesse no site de origem)

Nadine Gasman e Camila Pitanga defendem empoderamento econômico das mulheres em encontro com empresas em São Paulo/principios de empoderamento das mulheres planeta 50 50 onu mulheres ods noticias empoderamento economico direitosdasmulheres camila pitanga

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil,abre o 3º Congresso Nacional da Liderança Feminina, que reuniu mais de 500 participantes (Foto: ABRH/Gustavo Morita)

“O Brasil é o terceiro país no mundo em número de empresas signatárias aos Princípios de Empoderamento das Mulheres, iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global. Já são 165 empresas – de diferentes setores produtivos –, comprometidas em enfrentar e eliminar as desigualdades de gênero que ainda criam abismos entre homens e mulheres, pessoas brancas, negras e indígenas, entre outros grupos que são discriminados em razão da sua identidade”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, na abertura do 3º Congresso Nacional da Liderança Feminina (Conalife). O encontro aconteceu, em 24 de maio, em São Paulo. Foi promovido pela Regional São Paulo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), com apoio da ONU Mulheres e do movimento ElesPorElas – HeForShe.

Gasman frisou que o empoderamento econômico das mulheres é uma das cinco áreas de trabalho da ONU Mulheres em todo o mundo, e que o Brasil tem se destacado por meio do trabalho com as empresas. Mencionou o projeto Ganha-Ganha: Igualdade de gênero significa bons negócios – coordenado pela equipe da ONU Mulheres Brasil e realizado em parceria com a Organização Mundial do Trabalho (OIT) e a União Europeia –, que amplia a promoção dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs na sigla em Inglês) nas empresas brasileiras e de outros cinco países da América Latina e Caribe: Argentina, Chile, Costa Rica, Jamaica e Uruguai. “Como principais resultados, vamos apoiar negócios liderados por mulheres, estimular a adoção dos princípios de empoderamento das mulheres pelas empresas e estabelecer um mecanismo de investimento de alto impacto para a igualdade de gênero”, acrescentou a representante da ONU Mulheres.

Nadine Gasman e Camila Pitanga defendem empoderamento econômico das mulheres em encontro com empresas em São Paulo/principios de empoderamento das mulheres planeta 50 50 onu mulheres ods noticias empoderamento economico direitosdasmulheres camila pitanga

Camila Pitanga, embaixadora da ONU Mulheres Brasil, no 3º Congresso Nacional da Liderança Feminina (Foto: ABRH/Gustavo Morita)

Ela ressaltou o quadro de ações das empresas brasileiras em favor do empoderamento econômico das mulheres. “Algumas empresas signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres já se colocaram nessa linha de frente. Elas incentivam as mulheres a desempenhar outras funções, inclusive na área de tecnologia e exatas; tomam medidas para progressão de carreira; agem pela melhoria da capacidade das mulheres em negociar o próprio salário; adotaram licença paternidade para oito semanas; e apoiam a organização da vida privada de homens e mulheres para as tarefas domésticas e familiares”, contou Nadine Gasman., Camila Pitanga, fez discurso emocionante ao final do evento. Ela destacou que a paridade de gênero é boa para os negócios, mas é melhor ainda para as mulheres e os homens, com benefícios para toda a humanidade.

“Esta é a hora de fortalecer as ações nas empresas, nos empreendimentos e na cadeia produtiva, e trazer modelos inovadores e exemplos concretos para a economia. É a hora de identificar mais parceiras e parceiros. É a hora de ampliar a rede de ação concreta em favor dos direitos econômicos das mulheres. É a hora de criar oportunidades para que as mulheres possam se desenvolver em qualquer campo profissional”, declarou. A embaixadora da ONU Mulheres Brasil ponderou que a paridade de gênero precisa ser realizada não somente pela não discriminação contra as mulheres – que afronta os direitos humanos como um todo – mas pela distribuição equitativa das riquezas.

Na semana passada fui convidada a participar do Conalife 2018 – Liderança Feminina para um Mundo Colaborativo. Foi difícil e bonito. Difícil porque estava (ainda estou na verdade) afônica por conta de uma laringite. Uma atriz sem voz é uma atriz sem corpo inteiro. Mas na mesma medida foi bonito, valeu muito a pena ouvir ali o depoimento forte de mulheres que se identificam com o que estou abraçando como porta-voz da @onumulheresbr, como mulher preta que sou. Falei do mundo que a gente quer com trabalho decente, proteção social e crescimento inclusivo e justo. Do Brasil que ainda explora o trabalho das mulheres pagando menos e violando direitos trabalhistas, jogando as mulheres na informalidade para poder lucrar mais. Do Brasil que não consegue alterar a prevalência de homens brancos nos postos de direção, com maiores salários e poder de decisão. Do Brasil que caminha a passos muito lentos para assegurar a representatividade e a diversidade das mulheres nas posições de poder. É a hora de ampliar a rede de ação concreta em favor dos direitos econômicos das mulheres. É a hora de criar oportunidades para que as mulheres possam se desenvolver em qualquer campo profissional. Seguimos firmes, por um país e um planeta mais igualitário, justo e sustentável. Para quem se interessar, a íntegra de minha fala no Conalife está na fanpage do Facebook.

Uma publicação compartilhada por Camila Pitanga (@caiapitanga) em

Camila Pitanga comentou também que as mulheres têm um futuro promissor na liderança de empresas: “Nós, mulheres, mudamos. Conquistamos uma certa independência financeira, apesar da ainda persistente disparidade salarial. E especialistas dizem que o estilo de liderança que é característico de nós, mulheres, vai ao encontro do que se espera de uma liderança do século 21, que é focada no trabalho em grupo, na coletividade”.

Durante a sua apresentação no Conalife, a gerente dos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres Brasil, Adriana Carvalho, alertou para o ranking da igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, em que o Brasil está no 90º lugar. Ela fez um chamado para que mais empresas façam parte da rede dos Princípios de Empoderamento das Mulheres no país, e frisou que eles contribuem para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os ODS 5 (Igualdade de gênero), 8 (Trabalho decente e crescimento econômico) e 17 (Parcerias e meios de implementação).

Nadine Gasman e Camila Pitanga defendem empoderamento econômico das mulheres em encontro com empresas em São Paulo/principios de empoderamento das mulheres planeta 50 50 onu mulheres ods noticias empoderamento economico direitosdasmulheres camila pitanga

Eva Blay, professora da USP e coordenadora do USP Mulheres, recebeu o troféu Personalidade Conalife 2018 (Foto: ABRH/Gustavo Morita)

Homenagem – Professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e coordenadora do escritório USP Mulheres, a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras no estudo dos direitos das mulheres no Brasil, foi condecorada com o troféu Personalidade Conalife 2018.

“Trata-se de uma homenagem a todas as mulheres que criam espaços verdadeiros e igualitários para as mulheres brasileiras. Ser feminista é lutar pelos direitos humanos, das mulheres e dos homens. No caso de mulheres negras e judias, por exemplo, que sofrem discriminação, é importante superar os desafios e se autoafirmar”, salientou Eva, após receber o troféu.

Nadine Gasman e Camila Pitanga defendem empoderamento econômico das mulheres em encontro com empresas em São Paulo/principios de empoderamento das mulheres planeta 50 50 onu mulheres ods noticias empoderamento economico direitosdasmulheres camila pitanga

Theunis Marinho, presidente da ABRH-SP, reforçou a importância de o Brasil ter mais mulheres no mercado de trabalho (Foto: ABRH/Gustavo Morita)

Papel das empresas – O presidente da ABRH-SP, Theunis Marinho, reforçou a importância de o Brasil ter mais mulheres no mercado de trabalho, deixando para trás anos de preconceito, assédio e desrespeito. “Vocês mulheres já sentiram na pele isso ao longo da vida pelo simples fato de serem mulheres. Séculos de segregação e desigualdade não deram certo e estão com os dias contados. E isso só vai acontecer se acelerarmos esse processo”, disse.

Para o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, temas como igualdade de gênero e diversidade precisam estar na pauta do dia do setor privado. “É preciso parar de falar de gêneros opostos e falar de humanidade. As diferenças devem ser respeitadas e se complementam”, observou.

Com o tema central “Liderança Feminina para um Mundo Colaborativo” e mais de 500 participantes, o 3º Conalife teve com três painéis – O Futuro É Agora. Estamos Prontas?, Mulheres nas Ciências e Empreendedorismo e Colaboração. A programação ainda promoveu quatro momentos especiais: Escola de Você; Empresas para a Igualdade de Gênero; Retrato das Mulheres na Arte e Tudo Começa pelo Respeito.