Casos de abuso sexual no transporte público de SP crescem 35% em 2017

11/01/2018 - 15:33 -
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Dados obtidos com exclusividade pela GloboNews mostram que ocorreram 464 casos de abuso sexual entre janeiro e dezembro de 2017 na capital.

(G1, 11/01/2018 – acesse no site de origem)

A Polícia Civil registrou 464 casos de abuso sexual no transporte público na cidade de São Paulo entre janeiro e dezembro de 2017. Os dados, obtidos com exclusividade pela GloboNews com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) via Lei de Acesso à Informação, indicam aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2016, quando foram feitos 343 boletins do tipo.

Esses números abrangem todos os boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil de São Paulo, que tratam de atentado violento ao pudor, que é considerado uma contravenção, e dos crimes contra a dignidade sexual, como estupro, por exemplo.

Abusos em ônibus

Alguns casos de abuso sexual ocorridos no ano passado chamaram a atenção.

Em 21 de setembro, o Ministério Público de São Paulo denunciou Diego Ferreira de Novais, de 27 anos, pelo crime de estupro, após ele ter sido preso em 2 de setembro esfregando o órgão genital na perna de uma mulher em um ônibus na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo.

Novais foi preso duas vezes na mesma semana praticando crimes semelhantes. Antes, ele havia sido preso por ejacular em uma mulher, também em um ônibus na Avenida Paulista, sendo solto, neste caso, pela Justiça.

No dia 28 de setembro, Evandro Quesada da Silva, de 26 anos, foi preso em flagrante depois de ejacular em uma mulher de 34 anos que estava em um ônibus no Tatuapé, Zona Leste da cidade, a caminho do trabalho.

Diego Ferreira de Novais deixa 78ª DP e é levado para o 2º DP (Foto: Leonardo Benassato/Framephoto/Estadão Conteúdo)

Diego Ferreira de Novais deixa 78ª DP e é levado para o 2º DP (Foto: Leonardo Benassato/Framephoto/Estadão Conteúdo)

No mesmo dia, no Imirim, Zona Norte de São Paulo, o vigilante noturno Rafael Anselmo Alves Lopes, de 31 anos, foi preso em flagrante depois de esfregar o pênis em uma mulher em um ônibus.

A vítima contou que o rapaz colocou o pênis para fora da calça, segurou sua cintura e começou a se esfregar. Ela teria tentado se desvencialhar, mas ele não deixava. O homem disse que pegou o ônibus decidido a cometer o crime, pois precisava satisfazer seus anseios sexuais, mas negou ter segurado a mulher.

Policia prendeu 124 pessoas

A Secretaria da Segurança Pública disse em nota que 124 pessoas foram presas na cidade de Sâo Paulo por crimes contra a dignidade sexual no interior de transporte coletivo. A pasta reforça que o estado conta com 133 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) sendo nove delas localizadas na Capital, 16 na Grande SP e 108 nas cidades do Interior, cobrindo todas as regiões do Estado.

“A SSP reafirma ser de extrema importância o registro pela vítima do boletim de ocorrência para que o crime seja investigado e os autores punidos”, diz a nota.

Suspeito de ejacular em mulher em ônibus foi levado ao 30º DP, no Tatuapé (Foto: Reprodução/GloboNews)

Suspeito de ejacular em mulher em ônibus foi levado ao 30º DP, no Tatuapé (Foto: Reprodução/GloboNews)

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM) diz que não é possível afirmar que houve aumento no número de casos, mas sim de registro de denúncias a respeito de abuso sexual no transporte público. “se deve às intensas e regulares campanhas de conscientização desenvolvidas pelo Metrô e pela CPTM, bem como ao movimento de empoderamento feminino em curso no país e no mundo, que têm encorajado as vítimas a procurar as autoridades”, afirma a STM.

A SPTrans diz que desde o ano passado, intensificou as campanhas que já vinham sendo realizadas para esclarecer e estimular os usuários do sistema a denunciar eventuais ocorrências, o que pode refletir, naturalmente, no número de casos registrados.

Também integrou-se à campanha unificada “Juntos podemos parar o abuso sexual nos transportes”, reunindo representantes de diferentes órgãos de Transporte Público, Justiça e Segurança Pública.

Léo Arcoverde e Paula Araújo