‘Este dia não é só meu’: Luiza Brunet dedica condenação de Lírio Parisoto às mulheres

06/06/2017 - 16:56 -
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“Não foi fácil me expor e conviver com as marcas dessa violência. Não existe aqui a Luiza. Existem mulheres.”

(HuffPost Brasil, 06/06/2017 – acesse no site de origem)

Na última terça-feira (05), uma sentença do Tribunal de Justiça São Paulo decidiu que o empresário Lírio Parisotto foi condenado a um ano de prisão por ter agredido Luiza Brunet.

A condenação da juíza Elaine Cristina Monteiro Cavalcanti também determinou que Parisotto deverá ficar dois anos sob vigilância, sendo obrigado a cumprir serviço comunitário durante 12 meses.

A decisão põe fim ao ciclo de violências vivido por Brunet. Ela foi espancada pelo ex-namorado no ano passado, em uma viagem do casal para Nova York.

Desde que tornou público o caso, Brunet tem se posicionado contra o silenciamento de agressões às mulheres.

Ela chegou a lançar campanhas, como a da hashtag #CoragemPraMudar em seus perfis nas redes sociais.

Ao tomar conhecimento da decisão, ela dedicou a sentença à todas as mulheres.

“Este dia dia não é só meu – que atravessei esse doloroso caminho pessoal até aqui e precisei romper tantos medos. É um momento muito maior pelo que significa para tantas mulheres na mesma condição. Não existe aqui a Luiza. Existem mulheres”, escreveu em um post no Instagram.

Difícil dizer o que sinto. Mas é um dia que me deixa realizada, com o coração pacificado e uma sensação de ter ido no caminho certo. Não foi fácil me expor e conviver com as marcas dessa violência. Mas há algo maior. Este dia dia não é só meu – que atravessei esse doloroso caminho pessoal até aqui e precisei romper tantos medos. É um momento muito maior pelo que significa para tantas mulheres na mesma condição. Não existe aqui a Luiza. Existem mulheres. Existe a minha imensa felicidade pelo funcionamento da justiça. Dessa incrível Lei Maria da Penha. Não se calem mulheres. Vamos mudar essa situação. Não acaba aqui. Vocês me inspiraram sempre com seu apoio e sua força. E o que tenho a dizer se resume a uma palavra: gratidão. #CoragemPraMudar #NãoSeCale #UnidasSempre #Gratidão

Uma publicação compartilhada por Luiza Brunet . “Figura Publica (@luizabrunet) em

Em seu perfil na mesma rede social, Parisotto afirmou que vai recorrer a decisão.

Relembrado velhas verdades: Prometi que usaria este canal para esclarecer um episódio desagradável da minha vida, à meus seguidores, aqui esta: Fui vítima de três acusações: 1) agressão num barco em viagem, na verdade eu que fui agredido a acusação não prosperou, muita cara de pau, muito obrigado Dr Promotor Gaya; 2) lesão num dedo, considerada grave, acabei de ser absolvido, história sem nexo algum, mentiras de duas Patranheiras, muito obrigado Dra Juíza Elaine Cavalcante pela lucidez e isenção que avaliou este caso; 3) sobrou a suposta lesão em NY, foi considerada leve, ou seja a menor possível, mas ainda assim não condiz com os fatos, fui condenado a um ano de serviços comunitários, irei recorrer tenho certeza que a verdade prevalecerá. Aliás fazer serviço comunitário seria um prazer, já faço muita ajuda comunitária. Não vou me delongar no assunto, quem tiver interesse está tudo escrito nas datas deste triste episódio aqui neste canal, só conferir, nada mudei. Atentem para o financeiro. Portanto, muita paz e companheirismo, só assim o amor sobreviverá e vencerá. Adoro vcs, obrigado pela força. 💋🍷💤👀

Uma publicação compartilhada por Lirio A Parisotto (@lirioparisotto) em

No Brasil, a cada hora, mais de 500 mulheres são violentadas, espancadas ou ameaçadas. Em 2016, foram 4,4 milhões de mulheres vítimas de alguma agressão.
Apesar do alto índice de ocorrências, 52% das mulheres não denunciaram a violência sofrida. Ainda, das mulheres que denunciam, cerca de 70% retiram as denúncias contra seus agressores.

Isso porque as mulheres que resolvem não se calar enfrentam o medo, a insegurança e o desamparo.

Já imaginou que neste exato momento milhares de mulheres estão sendo agredidas. Moralmente, psicologicamente, sexualmente, patrimonalmente etc. Mulheres de todas as Classes sociais e raça. Nenhuma escapa da violência masculina. #mexeucomumamexeucomtodas filme de Sandra Werneck que esclarece este tema tão falado ultimamente, porém a burocracia deixa milhares de processos para se resolver por anos. E a mulher agredida em profundo sofrimento, ninguém sabe dimensionar os danos que uma agressão causa em uma mulher , a não ser outra mulher agredida. Pais ou parentesco que abusou dos filhos com palavras , chutes , tapas , agressão verbal e abandono , não sabem o estrago que cometeram.A nova proposta para uma melhor convivência é o respeito mútuo, paciência para educar ,e criar filhos que não cometam Violência na fase adulta. Interromper esse ciclo. É fundamental. #institutomariadapenha E vamos Orar muito 🙏

Uma publicação compartilhada por Luiza Brunet . “Figura Publica (@luizabrunet) em

Ao HuffPost Brasil, a promotora de Justiça Gabriela Mansur chamou a atenção para a ausência do Estado como um dos fatores que perpetua casos de agressão e feminicídio no País.

“Enquanto não for prioridade de investimento público, destinação de verba, aprimoramento dos atendimentos, credibilidade da palavra da vítima, deixar pessoas especializadas em estratégias de políticas públicas e criminal, não vamos conseguir diminuir os índices de violência contra a mulher.”