Ocupação promove ‘inauguração popular’ da Casa da Mulher Brasileira em São Paulo

29/10/2017 - 20:21 -
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Projeto teve R$ 13,5 milhões liberados pelo governo Dilma em 2013, está pronto desde novembro de 2016 e até agora é mantido fechado pela prefeitura

(Rede Brasil Atual, 29/10/2017 – acesse aqui)

Movimento de Mulheres de São Paulo ocupou na manhã deste domingo a sede da Casa da Mulher Brasileira, em São Paulo. A iniciativa é tratada pelas mulheres como “inauguração popular” do projeto.

Ocupação de ‘inauguração’ promoverá caminhada até a prefeitura nesta segunda

Casa da Mulher Brasileira é um equipamento público destinado ao atendimento das mulheres em situação de violência. O prédio no bairro do Cambuci está pronto desde novembro de 2016, sua inauguração estava prevista para o início deste ano, mas até agora é mantido fechado pelo prefeito João Doria (PSDB). A estrutura foi financiada pelo governo federal em 2013, governo Dilma, para concentrar serviços de atendimento à mulher vítima de violência em um só espaço.

Há boatos de que equipamento poderia ser desviado para outros fins, mas todo projeto foi pensado para mulheres em situação de violência

Em entrevista à RBA no início no ano, a mentora do projeto, ex-ministra da Secretaria de Politicas para Mulheres Eleonora Menicucci, dizia que a parceira com a prefeitura previa ainda repasse de dinheiro para custear a manutenção, a compra de mobiliário, a vigilância e a administração da casa por dois anos. A partir daí, a prefeitura e o governo do estado assumiriam os gastos. “O movimento de mulheres reivindica, as vítimas de violência reivindicam, as delegadas reivindicam, os juízes especializados e as defensorias também. Por que não está funcionando?”, disse a ex-ministra.

O contrato de empenho para custeio da casa pelo governo federal, no valor de R$ 13,5 milhões, foi assinado em 5 de janeiro, pela ex-secretária de Políticas para Mulheres de São Paulo Denise Motta Dau, a pedido da gestão Doria. “Recebi ligação afirmando que se não assinássemos naquele dia a prefeitura perderia o direito à verba. Liguei para Fernando Haddad (ex-prefeito) e concordamos em assinar, porque o importante é garantir o serviço para as mulheres. Foram mais de R$ 13 milhões e a casa segue fechada”, dizia Denise. “Há boatos de que o equipamento poderia ser desviado para outros serviços, mas todo projeto, espaço e conveniamento foi pensado para mulheres em situação de violência.” Na ocasião, em março, a Secretaria de Direitos Humanos da atual  administração alegava que o governo federal não estaria fazendo os repasses.

Estão nos planos da Inauguração Popular, segundo nota divulgada pelo movimento,. oficinas sobre diversas temáticas relacionados a proteção de gênero. Além disso, o movimento promete manter no ar uma programação de rádio. Para isso, farão uso de um transmissor de rádio construído pelas próprias mulheres. Nesta segunda-feira (30), as mulheres pretendem sair em marcha até a prefeitura para denunciar a precarização da política de combate e enfrentamento à violência e entregar documento com reivindicações às autoridades. A casa da mulher brasileira fica na rua Vieira Ravasco, 26 no Cambuci.