10/11/2013 – Análise – Novo presidente do Chile terá na agenda educação e nova lei do aborto

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(Folha de S.Paulo) Se um romancista tivesse criado o roteiro da atual eleição presidencial chilena, a trama poderia ter sido descartada como simétrica demais para ser plausível.

As duas principais candidatas, Michelle Bachelet e Evelyn Matthei, são ambas filhas de generais da Força Aérea. Quando meninas, brincavam nos mesmos quartéis e seus pais eram amigos.

Mas, quando o país foi dilacerado pelo golpe de Augusto Pinochet, em 1973, as famílias de ambas ficaram de lados opostos de uma linha divisória mortífera. Um pai foi promovido ao comando da Força Aérea. O outro foi torturado e morreu na prisão.

Passados 40 anos, as duas continuam em lados opostos, mas desta vez em uma campanha eleitoral que deve trazer grandes mudanças –para a Constituição, a lei do aborto, os impostos e a educação– numa das mais dinâmicas economias da região.

O momento dificilmente poderia ser mais delicado. O Chile acaba de passar pelo 40º aniversário do golpe apoiado pela CIA, com cerimônias sombrias para honrar as 3.000 vítimas que foram mortas ou “desapareceram” como consequência dele.

E Santiago, apesar de sua crescente riqueza e democracia mais madura, continua a ser abalada por protestos estudantis, greves de trabalhadores e respostas policiais que envolvem gás lacrimogêneo e canhões de água.

Por mais que as duas candidatas favoritas prefiram contemplar o futuro, parte da cobertura da eleição se concentrou em seus passados.

Isso acontece em parte porque a disputa parece praticamente decidida antes de começar. Bachelet, candidata social-democrata, é favorita.

O “Observer” conversou com a pediatra que foi a primeira mulher a presidir o Chile (entre 2006 e 2010) na sede de sua campanha.

O clima entre seus partidários é efusivo, ainda que ninguém cante vitória, Bachelet especialmente.

“É como o futebol: mesmo que você esteja em vantagem, o jogo só acaba com o apito final”, ela diz. “Também preciso de um Legislativo que me apoie e realize as mudanças estruturais necessárias.”

Acesse o PDF: Análise – Novo presidente do Chile terá na agenda educação e nova lei do aborto (Folha de S.Paulo – 10/11/2013)   

 

 

 

 

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