Pesquisa: Para 87% dos brasileiros, a violência contra mulheres aumentou na pandemia

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Na visão dos entrevistados, a pandemia fez aumentarem as agressões físicas e verbais, a violência sexual, os ataques na internet e o assédio contra mulheres. E para 95%, homens que agridem mulheres no isolamento social já faziam isso antes da pandemia. (Locomotiva/Instituto Patrícia Galvão, novembro 2020)

A pandemia tem tornado ainda mais difícil para as mulheres romper o ciclo da violência

49% acreditam que ficou mais difícil para a mulher denunciar a violência doméstica na pandemia.

Segundo 4 em cada 10 entrevistados que conhecem mulheres que sofreram violência na pandemia, elas não procuraram ajuda. Agressor vigiando a vítima e isolamento de amigos e família são os principais dificultadores para que mulheres vítimas de violência busquem apoio na pandemia.

Acesse na íntegra o relatório da pesquisa Violência doméstica contra a mulher na pandemia (Locomotiva / Instituto Patrícia Galvão, novembro 2020)

Entre vítimas de violência na pandemia que buscaram ajuda, maioria recorreu à Delegacia da Mulher e aos amigos e familiares

75% dos entrevistados, ou 3 em cada 4 – o que equivale a 117 milhões de brasileiros – conhecem uma mulher vítima de agressões de um parceiro, seja atual ou ex. E 37% das mulheres entrevistadas afirmam já ter sofrido violência doméstica – ou cerca de 30 milhões de brasileiras.

Percepção do aumento da violência

98% consideram a violência contra a mulher um problema muito grave no Brasil e 95% têm a percepção de que a violência contra a mulher tem aumentado nos últimos cinco anos. Para 9 em cada 10, a violência psicológica é tão grave quanto a violência física.

79% acham que hoje as mulheres cada vez mais reconhecem quando estão em uma relação violenta.

Porém, enquanto 37% das entrevistadas declaram já haver sofrido violência de um parceiro ou ex, quando colocadas diante de situações hipotéticas de violência doméstica, esse número salta para 50%, o que representa cerca de 41 milhões de brasileiras, sendo que, destas, 24% foram vítimas em mais de um relacionamento.

Existe também a percepção da maioria de que a violência doméstica atinge todos os segmentos de mulheres, não importa a raça, idade, orientação sexual ou condição econômica, se mora no campo ou na cidade ou tem alguma deficiência.

Maioria acha que a pandemia fez aumentar a violência contra as mulheres

Para a maioria dos entrevistados, a pandemia fez aumentarem as agressões físicas e verbais, a violência sexual, os ataques na internet e o assédio contra mulheres.

Para 87%, a pandemia fez com que a violência contra mulheres aumentasse; para 74%, aumentou muito.

 28% do total de entrevistados conhecem uma mulher que foi vítima de violência doméstica durante a pandemia, na maioria dos casos violência física e psicológica; 8% das mulheres relatam que sofreram violência doméstica durante a pandemia. São 6 milhões de brasileiras.

Álcool, estresse, maior convivência, falta de dinheiro e sobrecarga da mulher por falta da divisão do trabalho em casa são os fatores mais citados para o aumento da violência doméstica na pandemia.

Para 95%, homens que agridem mulheres no isolamento social já faziam isso antes da pandemia. Há ainda o aumento do reconhecimento da violência patrimonial: quase 3 em cada 4 pessoas consideram que homens que receberam o auxílio emergencial de suas ex-companheiras de forma indevida cometeram violência contra elas.

 

Percepção da população é de que o apoio de pessoas próximas e do Estado são os principais motivadores para que mulheres que sofrem violência doméstica rompam esse ciclo.

Para 94%, “se uma pessoa vê ou ouve um homem batendo em uma mulher, ela deve denunciar” e 78% consideram que, quando uma mulher é agredida pelo companheiro, ela deve procurar a Delegacia da Mulher.

58% dos que conhecem uma vítima de violência doméstica afirmam ter aconselhado a mulher a fazer uma denúncia na polícia.

Já entre as mulheres vítimas de violência doméstica, 58% terminaram o relacionamento e 24% denunciaram à polícia; 7% não fizeram nada.

Medo de serem mortas, os filhos e dependência econômica são apontados como principais razões para que as mulheres que são agredidas não se separem. No entanto, para 83%, terminar a relação é a melhor forma de acabar com o ciclo da violência.

A Lei Maria da Penha é muito conhecida e bem avaliada como mecanismo de proteção para as mulheres

  • 85% conhecem muito ou um pouco a Lei Maria da Penha
  • 75% concordam que hoje se condena muito mais a violência doméstica do que antes da Lei Maria da Penha.
  • 83% acreditam que a Lei Maria da Penha ajuda a diminuir crimes de violência doméstica contra a mulher
  • Para 84%, a Lei Maria da Penha fez com que as mulheres passassem a denunciar mais os casos de violência doméstica
  • Embora 20% discordem, para 71% mais agressores estão sendo punidos por causa da Lei Maria da Penha
  • 80% concordam que a Lei Maria da Penha é boa, mas não está sendo colocada em prática como deveria.

Sensação de impunidade e falta de apoio do Estado

  • Para 72%, a justiça trata casos de violência contra a mulher como assunto pouco importante.
  • Para 76%, muitos policiais não acreditam na seriedade da denúncia e no risco da mulher.
  • 3 em cada 4 acreditam que, com a Lei Maria da Penha, há mais serviços de acolhimento para mulheres que sofrem violência doméstica.
  • Para 80%,apesar de bons, serviços de atendimentos às vítimas são escassos.
  • Para 61%, agressores não costumam ser devidamente punidos nos crimes de violência doméstica contra mulheres.
  • Para 92%, os homens que cometem violência doméstica sabem que isso é crime, mas continuam agredindo as mulheres por achar que não serão punidos.
  • Para 87%, se o Estado apoiasse mais as mulheres que sofrem violência doméstica elas sairiam mais rápido e com menos traumas da relação violenta.

Conhecimento sobre recursos para vítimas de violência doméstica

  • 74% das mulheres dizem saber qual número de telefone para ajuda a vítimas de violência contra a mulher, mas apenas 24% citaram o 180.
  • 31% já ouviram falar sobre aplicativos criados na pandemia que ajudam vítimas de violência doméstica a pedir ajuda, contudo metade dessas pessoas não soube dizer seu nome.
  • 44% afirmam já ter ouvido falar sobre a campanha Sinal Vermelho, que ajuda vítimas de violência doméstica.

Sobre a pesquisa

Para Maíra Saruê Machado, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, os resultados indicam que “a pesquisa mostra que 3/4 da população conhece uma mulher vítima de violência doméstica. Apesar de inúmeras conquistas no enfrentamento a essa situação – como a Lei Maria da Penha, que é reconhecida pela maioria – a percepção de falta de acolhimento às vítimas acaba desmobilizando as denúncias. Para 87%, a pandemia do novo coronavírus fez com que a violência contra a mulher aumentasse. Ou seja: é preciso agir rápido na consolidação e comunicação de portas de saída efetivas para que seja possível romper com o ciclo da violência presente na vida de tantas mulheres”.

Para Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, “há uma ampla compreensão da sociedade sobre a gravidade da violência contra as mulheres e de que o contexto da pandemia impactou de forma severa o cenário da violência doméstica. Enquanto para 88% da população o isolamento social e a quarentena fizeram com que a violência contra a mulher aumentasse, para 95% os homens que estão agredindo mulheres já faziam isso antes da pandemia”.

A pesquisa Violência doméstica contra a mulher na pandemia foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio do Consulado da Irlanda em São Paulo e da Fundação Heinrich Böll. Participaram do estudo online1.500 pessoas, com 18 anos de idade ou mais, entre 2 a 14 de outubro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

Contatos
Eliane Barros – Instituto Patrícia Galvão (11) 94481-9443 | [email protected]
Cínthia Quadrado – Instituto Locomotiva | (11) 97360-3149 | [email protected]
Gerson Sintoni – GBR Comunicação/Instituto Locomotiva | (11) 99687-9074 | [email protected]

Consulte também nosso Banco de Fontes de especialistas em violência de gênero

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