Uma pessoa LGBT+ é morta a cada 34 horas no Brasil, aponta ONG

Parada do orgulho LGBTQIAP+. Foto: Beatriz Keiko/Mídia Ninja

Foto: Beatriz Keiko/Mídia Ninja

19 de janeiro, 2026 g1 Por Marcelo Lemos e Arthur Stabile

Foram 257 mortes, entre homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas no último ano, contra 291 em 2024. Grupo Gay da Bahia alega que há falta de informações como causa de subnotificação.

Uma pessoa LGBT+ foi morta a cada 34 horas no Brasil em 2025, segundo levantamento do Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB). Foram mapeados 257 casos noticiados ao longo do último ano entre homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas.

O número representa uma queda de 12% nas mortes violentas, em comparação com o ano anterior, quando 291 mortes foram mapeadas pelo grupo. A ONG alerta para falta de informação e subnotificação quando os crimes estão ligados à comunidade.

As vítimas eram:

  • Gays: 156
  • Mulheres trans: 46
  • Travestis: 18
  • Bissexuais: 9
  • Lésbicas: 4
  • Homens trans: 3
  • Heterossexuais: 3*
  • Não informado: 16

*Heterossexuais assassinados por defenderem, por terem sido confundidos com integrantes da comunidade ou por estarem acompanhados de alguma pessoa LGBT+.

Os casos retomaram ao patamar de 2023, quando também ocorreram 257 mortes.

Tipos e regiões dos crimes

Os homicídios lideram o tipo de crime cometido contra a comunidade, sendo 80% dos casos registrados, seguidos de suicídios (8%) e latrocínios (7%).

Em quase 60% dos crimes, o meio utilizado para matar não é informado, enquanto armas de fogo foram usadas em 15% das mortes e armas brancas, como facas, representam 14%.

A maior parte das mortes aconteceu na região Nordeste (66), seguido de Sudeste (48) e Centro-Oeste (33). Outros 84 crimes não tiveram região informada.

Entre os estados, São Paulo (19), Bahia (17) e Minas Gerais (17) tiveram a maior quantidade de casos.

Nas capitais, os casos ocorreram mais em São Paulo (6), Salvador (5) e em Manaus, Goiânia e Belo Horizonte (4).

ONG alega falta de informações e subnotificação

O grupo é a mais antiga organização não governamental voltada para esta causa na América Latina. O levantamento é feito há 45 anos e leva em conta notícias veiculadas na imprensa e correspondências enviadas à ONG.

Fundador do grupo e doutor em antropologia, Luiz Mott afirma que o Brasil lidera o ranking de países em morte de pessoas LGBT+, enquanto México (40) e Estados Unidos (10) aparecem em seguida. Para ele, faltam políticas voltadas para a comunidade.

“Como explicar a queda de 12%? Não é por conta de políticas públicas, infelizmente. O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade”, diz.

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