Na RD Congo, mulheres são vítimas de escravidão sexual e obrigadas a manter gestações decorrentes de estupro

17 de março, 2026 Alma Preta Por Thayná Santana

Relatório do governo e da ONU aponta mais de 1,5 mil vítimas e alerta para a vulnerabilidade de crianças em territórios de confronto no leste do país

Mulheres, meninas e crianças continuam sendo as principais vítimas da violência relacionada ao conflito armado no leste da República Democrática do Congo (RD Congo), especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em 2025, foram registrados 1.534 vítimas, a maioria mulheres (854) e meninas (672).

As informações são do Ministério do Gênero, Família e Infância, em colaboração com o Escritório Conjunto das Nações Unidas para os Direitos Humanos (UNJHRO). O relatório destaca crimes graves contra mulheres e meninas, incluindo situações de escravidão sexual e confinamento por longos períodos. A população feminina é submetida a estupros repetidos e gestações forçadas.

O relatório integra um documento que também marca o lançamento de uma campanha contra a escravidão sexual, defesa dos direitos das mulheres e pela proteção de crianças nascidas de estupro em conflitos armados na RD do Congo.

A iniciativa foi apresentada durante um painel de discussão com representantes de serviços governamentais e agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o relatório, os dados também levantam preocupações sobre a situação das crianças nascidas de estupro em contextos de conflito. Muitas enfrentam rejeição familiar, ausência de registro civil e maior risco de recrutamento por grupos armados.

Há três décadas, o país congolês enfrenta uma crise de violência ligada aos confrontos entre o grupo armado M23 e o exército congolês, que disputam o controle das reservas de minerais valiosos.

A região leste permanece como epicentro da violência, concentrando quase 80% das vítimas registradas, local onde os rebeldes são responsáveis por violações de direitos humanos.

Em relação ao atendimento às vítimas, o documento aponta que cerca de 70% recebem assistência médica de emergência. No entanto, menos de 2% têm acesso a apoio integral, que inclui assistência jurídica, psicológica e social.

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