Pesquisa do Instituto Data Favela mostra que 75% dos negócios são comandados por pessoas negras, que enfrentam baixa renda e falta de benefícios sociais
Novo levantamento encomendado pela VR ao Instituto Data Favela e que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país, traça costatou que 55% dos empreendedores nas comunidades são mulheres e 75% se declaram negros.
O perfil se concentra majoritariamente na faixa entre 35 e 59 anos (48%) e são, em sua maioria, solteiras (47%) apenas com o ensino médio completo (38%). Além dos desafios do mercado, elas enfrentam a jornada dupla, com 68% dedicando mais de três horas diárias aos cuidados com a casa e com os filhos, o que conciliam com a gestão do negócio.
Cerca de 39% desses empreendedores vivem com uma renda familiar de até dois salários-mínimos, sendo que 24% sobrevivem com apenas um. Além de terem menor remuneração, 70% dessas famílias não recebem qualquer tipo de benefício social.
Nesse caso, o próprio negócio é a única fonte de sustento, com sua abertura geralmente acontecendo com recursos próprios ou ajuda familiar (57%). Para seis em cada dez entrevistados, o investimento inicial foi de até dois salários-mínimos; destes, 37% começaram com menos de R$ 1.500.
Apenas 25% recorreram a alguma forma de crédito, muitas vezes através de vias informais, e 14% utilizaram rendas extras ou valores recebidos em indenizações trabalhistas.
Faturamento e pagamentos
A sustentabilidade financeira desses negócios é baixa. Metade dos empreendedores fatura até dois salários-mínimos mensais, mas os custos para manter a operação são altos: 43% gastam até R$ 1.520 por mês para funcionar, o que deixa uma margem mínima para lucro ou reinvestimento.
Outros 15% alcançam até três salários mínimos, enquanto 12% chegam a cinco salários. Dentre os entrevistados, 24% desembolsam em torno de R$ 3.040. Já na hora de pagar e receber, o Pix já está presente em 91% das vendas, embora o dinheiro em espécie continue sendo utilizado em 85% das transações.
A pandemia foi o grande catalisador para a abertura desses negócios, segundo a pesquisa, com seis em cada dez sendo abertos a partir de fevereiro de 2020 como resposta à instabilidade econômica e à retração do mercado de trabalho formal. Desses, 12% iniciaram no auge da crise, enquanto 44% abriram no período de estabilização do confinamento.