O movimento Mulheres Negras Decidem defende que o presidente Lula indique uma jurista negra para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em artigo, a organização argumenta que, após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado, a indicação de uma mulher negra deixou de ser uma questão de diversidade na Corte e passou a ser de sobrevivência institucional.
“Indicar uma jurista negra agora é, simultaneamente, um ato de reparação e uma jogada de mestre. Se aprovada, Lula oxigena o STF com uma perspectiva inédita e necessária. Se barrada pelo Senado, a narrativa política muda de dono: não será mais o governo que ‘perdeu’, mas o Senado que se declarou inimigo do povo brasileiro”, afirma o texto.
O movimento ressalta que não se trata de usar mulheres negras como “bucha de canhão” para recuperar a popularidade de um presidente em dificuldades, mas de “reconhecer que a única forma de recuperar a moral política é abraçar a agenda de quem realmente sustenta a democracia nas ruas”. Como exemplo, cita as mais de 300 mil pessoas reunidas em 25 de novembro do ano passado, em Brasília, na segunda edição da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver.
“O presidente tem em mãos a chance de sair da defensiva. A vaga está aberta, a história está cobrando e a solução é evidente: Ministra Negra já. Ou o governo assume o protagonismo na Justiça, ou será engolido pela chantagem de quem não tem compromisso com nada além do próprio poder”, conclui o movimento.