Em diferentes territórios de São Paulo, redes criadas por mulheres negras e periféricas ampliam o acesso a direitos, fazem circular conhecimento e fortalecem a mobilização coletiva
Aureni tinha apenas 10 anos quando fugiu para São Paulo após ter sido vendida para uma família de fazendeiros no Piauí. Aos 19 anos, casou-se com um policial, em um relacionamento que durou 22 anos e foi marcado por abuso e violência.
Desde muito cedo, foi atravessada por inúmeras violências e, com o tempo, percebeu que tudo se tratava de uma dinâmica estrutural e comum entre as mulheres. A partir disso, fundou a Casa Lili, na zona leste de São Paulo, onde atua para que outras mulheres tenham acesso à informação e autonomia.
A história de Aureni é um retrato do que acontece todos os dias no Brasil: uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão aponta que 54% das brasileiras (cerca de 47,7 milhões de mulheres) já foram vítimas de pelo menos uma das cinco formas de violência reconhecidas pela Lei Maria da Penha: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. Enquanto 54% das mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de violência, apenas 11% dos homens admitem ter cometido alguma agressão contra uma parceira ou ex-parceira.
A importância da rede de apoio para a participação política
Aureni Ferreira, conhecida carinhosamente como Lili, é uma mulher negra de 60 anos, casada, com dois filhos, nascida no Piauí numa família de 14 filhos, moradora da zona leste, formada em Serviço Social e estudante de Psicologia. Aos 10 anos, foi vendida para uma família de fazendeiros. Para tentar salvar sua vida, fugiu para São Paulo, começou a trabalhar e, aos 19 anos, se casou com um policial, que a agredia muito.
“Foram 22 anos de agressão. Chegou um momento que eu olhei no espelho e disse ‘eu não preciso disso’. Me formei como cabeleireira e comecei a ouvir as histórias de outras mulheres, mulheres que eu jamais imaginava que também poderiam passar por aquelas situações. Resolvi estudar e fiz Serviço Social para aprender como ajudar essas mulheres”, relembra.
Apesar do medo constante, Aureni conta que foi assim que começou o seu projeto. Era um grupo pequeno de mulheres, com aproximadamente 20 participantes, num lugar pequeno e sem estrutura nenhuma, onde ela ensinava técnicas de manicure e pedicure. Todo esse processo durou aproximadamente cinco anos, sendo ainda uma iniciativa informal.
Em seguida, registrou a iniciativa com a documentação necessária e fundou oficialmente o projeto social Casa Lili, que oferece serviços de acolhimento e desenvolvimento há mais de 10 anos e já atendeu mais de 800 mulheres, de forma presencial na periferia de São Mateus, na zona leste da cidade de São Paulo.
Entre as atividades oferecidas pela Casa Lili estão cursos gratuitos de cabeleireira, manicure e pedicure, informática, corte e modelagem, corte e costura, entre outros. Além das atividades formativas, o espaço também oferece palestras sobre saúde mental, direitos das mulheres e outros temas importantes para que as participantes tenham acesso a informações confiáveis e de qualidade.
Os cursos e as palestras são divulgados pelas redes sociais, grupos de WhatsApp das mulheres que já são alunas e, principalmente, pelas trocas entre as mulheres de São Mateus e regiões vizinhas, que compartilham sentimentos e experiências. Uma mulher puxa a outra, fortalecendo a comunicação e a coletividade feminina.
Mas a circulação de informação não acontece apenas pela divulgação das atividades. A Casa Lili também busca aproximar as mulheres de pessoas que são referência em diferentes temas, levando ao território conhecimentos sobre direitos, saúde, violência e outras questões que fazem parte da vida dessas mulheres.
“As mulheres atendidas, segundo Aureni, são periféricas, têm entre 14 e 92 anos e são, em sua maioria, negras. Muitas têm vários filhos, sofrem violência, não sabem para onde ir e enfrentam dificuldades financeiras e questões psicológicas profundas. Nem todas são moradoras de São Mateus.”
Ao mesmo tempo em que busca ampliar o acesso dessas mulheres à informação e aos seus direitos, a Casa Lili também atua como uma porta de entrada para a rede de atendimento. Aureni explica que orienta as mulheres sobre os serviços públicos disponíveis, faz encaminhamentos e, em alguns casos, acompanha o atendimento. Segundo ela, porém, muitas acabam retornando à instituição depois de não conseguirem resposta ou acompanhamento nos órgãos públicos.
“Eu procuro mostrar os direitos delas, costumo acompanhar elas em alguns casos, mas é decepcionante, porque se a gente encaminha para algum órgão público onde tem uma estrutura maior do que a nossa, elas não conseguem apoio nenhum, aí acaba voltando pra Casa Lili pedindo socorro”, conta.
Aureni cita ainda o encaminhamento para equipamentos públicos que contam com profissionais e estruturas específicas para atender mulheres em situações de vulnerabilidade. Segundo ela, porém, há casos em que as mulheres passam meses sem receber retorno e acabam procurando novamente a Casa Lili.
“É difícil elas aceitarem fazer a denúncia, quererem se expor.[…] Já aconteceu várias vezes de eu estar na minha casa e elas me ligarem falando ‘Lili eu estou na delegacia e eles estão debochando da minha cara’. Não é isso que elas precisam ouvir”, observa.
Considerando o cenário do território e a urgência de conseguir apoio para essas mulheres, Aureni conta que muitas vezes tentou inscrever seu projeto em editais para conseguir apoio de políticas públicas, mas as portas estiveram sempre fechadas.
Aureni afirma que tudo isso só é possível porque existe coletividade na periferia e que ela nunca pôde contar com o poder público para apoiar o projeto.
“Se você vai atrás de um político ele fala ‘vota em mim que depois eu te ajudo’, depois some e volta só daqui quatro anos. […] E é assim que a gente vive. De voluntariado”, relata.
A relação com representantes políticos também aparece nos eventos promovidos pela Casa Lili. Aureni conta que prefeitos, vereadores e deputados já chegaram sem convite e pediram espaço para falar.
Justamente por isso, Aureni afirma que ensina para suas alunas o quão importante é buscar conhecer e estudar sobre os candidatos, porque a política está em tudo. Um exemplo prático disso, segundo ela, é a delegacia da mulher: “existe, mas não funciona”.
“E eu digo ‘não vou dar fala pra vocês, não coloco nem lugar reservado pra vocês sentarem, nunca fizeram nada’. Sentam na mesa somente as pessoas que nos ajudam, por isso eu não quero e nem me envolvo”, pontua.
Mesmo diante de tantas barreiras, ela segue lutando para que mulheres da periferia não só sejam ouvidas e respeitadas, mas conquistem autonomia, sejam bem informadas e, principalmente, tenham posicionamento político.
Não é porque eu passei que eu quero que outras pessoas passem. Eu quero que essas mulheres tenham sua autoestima, sua autonomia, ganhem seu salário, e mostrar pra elas que elas são capazes. Porque nós somos capazes de tudo e não podemos desistir.”
Foi por meio de uma conhecida que Juliana Ribeiro, 34 anos, mulher negra, chegou à Casa Lili. Na época, enfrentava uma depressão profunda, problemas familiares e uma autoestima fragilizada. O que começou como uma oportunidade de aprender uma profissão, segundo ela, também se tornou um processo de reconstrução da própria autoestima.
“Minha autoestima estava péssima, eu não acreditava mais que conseguiria. Foi aí que a Lili entrou, me ensinando cabelo e manicure, mas, além da área profissional, me ensinou a me olhar no espelho, a acreditar em mim, no meu potencial. […] A Casa Lili me mostrou que, mesmo em meio às dificuldades, existe um caminho para reconstruir”, destaca.
Quando uma é atingida, todas se mobilizam
Foi depois do feminicídio de Márcia da Silva Soares, de 30 anos, que nasceu o Fórum em Defesa da Mulher, organização que atua nos territórios de Campo Limpo, Capão Redondo e M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo. Em janeiro de 2024, Márcia foi encontrada morta depois de ter sido dada como desaparecida há três dias. Partes de seu corpo foram localizadas em uma lixeira no bairro Jardim Germânia, na região do Capão Redondo. Um homem suspeito de cometer o crime foi preso temporariamente pela Polícia Civil na época. Márcia era mãe de dois filhos.
Para Luana de Oliveira, mulher negra, de 44 anos, formada em Geografia, ativista de direitos humanos e uma das mulheres que participa dessa construção, o Fórum nasce justamente da necessidade de não enfrentar as violências de forma isolada.
Segundo Luana, Márcia fazia uso de substâncias e já havia sido atendida por um serviço do território. O grupo não tinha contato direto com ela, mas tentou se aproximar da família após o crime. A avaliação de Luana é que a situação de vulnerabilidade de Márcia contribuiu para que o caso não tivesse a repercussão que, na visão dela, deveria ter tido.
“Então, quer dizer que a vida dessa mulher é descartável, porque ela vive boa parte do tempo na rua e faz uso abusivo de substâncias? Então, a vida dela não importa, não vale nada, não comove o fato dela ter sido morta de uma forma tão cruel?”, aponta.
A atuação já alcançou cerca de 1.100 pessoas por meio das Marchas Por Nós realizadas entre 2024 e 2026. Entre 2024 e 2025, 61 mulheres participaram das formações promovidas pelo Fórum, que também realizou 17 encontros formativos estruturados.
Quando a gente liga a televisão, todos os dias tem uma notícia semelhante a essa; quando um negócio desses com essa gravidade e crueldade acontece no nosso território, faz com que pensemos que hoje foi a Márcia, e amanhã, vai ser eu.”
A preocupação de Luana revela um cenário que aconteceu no território dela, mas que acontece todos os dias no Brasil. De acordo com dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025. Dessas, 65,1% eram negras. O número representa uma média de 4,3 mortes por dia.
A iniciativa surgiu de uma articulação após esse acontecimento, quando mulheres se uniram para pensar “e agora, o que faremos?”. Na época, também era lembrada a morte de Marielle Franco, assassinada por crime político em 2018. Foi realizada uma exposição das Penhas, esculturas de madeira com histórias de mulheres vítimas de violência doméstica e feminicídio, além da Marcha Por Todas Nós.
As marchas acontecem todos os anos, sempre em 8 de março, e em 2026 chegaram à terceira edição. Em todas, uma mulher é, segundo Luana, “femenageada” por sua luta e sobrevivência.
A comunicação acontece por diferentes caminhos: por um grupo de WhatsApp, pela página do Fórum no Instagram e, principalmente, pela articulação feita diretamente nos territórios onde o movimento atua. É também nesses espaços que as marchas são construídas, durante encontros chamados de plenárias, que reúnem integrantes do Fórum e outras mulheres dos territórios.
Além das mobilizações, o Fórum também é um espaço de troca e circulação de informações. Nas plenárias, as mulheres compartilham experiências, tiram dúvidas e conhecem outras mulheres. Nesse processo, informações sobre direitos, políticas públicas, violência e serviços de atendimento passam a ser compartilhadas e discutidas coletivamente.
“A participação é bastante diversa. Temos mulheres de todas as idades, inclusive idosas, negras e não negras, LBT, mães, atendidas pelos serviços da assistência social, entre outras, e a maioria delas é trabalhadora da rede de garantia de direitos”, explica.
Entre as demandas trazidas pelas mulheres, a violência aparece com frequência. Também entram nas discussões questões relacionadas à assistência social, delegacias, defensorias públicas e políticas públicas voltadas para crianças.
“As mulheres sofrem violência e o nosso papel é incentivar que elas conheçam o ciclo da violência e conheçam os caminhos de denúncia. Mas quando vai fazer a denúncia, como é esse acolhimento? Você é revitimizada e sofre uma nova violência, isso desestimula”, pondera.
Para Luana, o aumento das denúncias não tem sido acompanhado de respostas capazes de enfrentar o problema. Ela critica o encarceramento como principal resposta do Estado e defende que apenas afastar os agressores do convívio social, sem um trabalho de conscientização sobre a violência cometida, não é suficiente.
Luana também faz parte do conselho consultivo da Ouvidoria da Polícia, onde leva pautas do território e propostas relacionadas à segurança das mulheres.
“A gente vai tentando se articular desse lado enquanto sociedade civil, mas o Estado também não faz a parte dele. Da parte do estado, nós precisamos de investimento, orçamento dedicado a políticas para as mulheres, mas não têm”, defende.
Em 2025, o Governo de São Paulo destinou o equivalente a 18 centavos por mulher de 15 a 59 anos para essa área, segundo dados do Portal da Transparência. Um valor que “não paga sequer um pão francês”, ressalta Luana.
Luana aponta ainda que os serviços de atendimento não funcionam nos horários em que muitas violências acontecem.
“A gente fala ‘busque ajuda’, mas que ajuda é essa? Porque quando você pensa em serviços de atendimento à mulher, são muito importantes, mas são sucateados e têm um horário de funcionamento que não atende a demanda”, argumenta.
Luana continua alertando que “as mulheres não apanham de segunda a sexta das 8h às 17h, elas apanham na hora do jogo de futebol, quando o time do marido perde, no final de semana quando esse homem sai pra beber com os amigos e voltou bêbado pra casa indignado porque a janta não está pronta. Mas neste momento, os serviços estão fechados”.
Quando a organização também é política
É nesse ponto que a organização deixa de ser apenas uma resposta imediata à violência ou à falta de proteção e passa a disputar direitos, informações e espaços de decisão.
Para Millena Ventura, cientista social, mestre em Sociologia e Antropologia e integrante da ONG Elas no Poder, mulheres negras e periféricas são a força motriz da luta pelos direitos no Brasil. Desde o período colonial, mulheres e homens negros se organizam para melhorar seus territórios e construir novos futuros.
Essa organização, no entanto, não acontece sem obstáculos. “Obviamente não é uma fórmula mágica e é atravessada por vários aspectos: falta de dinheiro para continuar as ações, necessidade de trabalhar, duplas e triplas jornadas por sermos mulheres”, afirma.
Segundo Millena, as mobilizações costumam partir de pautas que atingem diretamente a vida das mulheres e, com o tempo, podem se ampliar para outras demandas e espaços de reivindicação. Nesse processo, a circulação de informação e a construção de confiança ajudam a transformar experiências individuais em demandas coletivas.
“Mas acho importante destacar que, quando falamos de atuação política, não estamos falando somente das eleitas, mas de toda a estrutura política; isso parte do ativismo, dos sindicatos, das defensorias públicas, das secretarias, dos ministérios etc.”
A relação entre organização coletiva e política institucional também aparece na produção acadêmica. Um artigo publicado em 2024 na Revista Estudos Feministas, que analisou a atuação do movimento feminista negro em Belo Horizonte, identificou diferentes formas de ação política, entre elas protestos e ações diretas, participação em conselhos, conferências e orçamento participativo, ocupação de cargos na burocracia e atuação por meio de cargos eletivos. O estudo mostra como essas diferentes formas de organização podem produzir incidência sobre políticas públicas.
É uma dimensão que ajuda a compreender por que a participação política não começa necessariamente quando uma mulher se candidata ou ocupa um cargo. Ela também pode começar quando mulheres se reúnem para identificar um problema, buscar informação, reivindicar uma solução e pressionar o poder público.
Nas eleições de 2026, as mulheres representam 34,8% das candidaturas registradas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar de serem minoria entre as candidaturas, elas são maioria entre o eleitorado: 52,8%, o equivalente a 83,9 milhões de eleitoras.
A política que nasce no território
A participação das mulheres nos espaços comunitários, no entanto, não começa necessariamente pela disputa de cargos. Para Helena Cunha, pesquisadora e doutoranda em Ciência Política pela USP, essa participação está relacionada à própria forma como a sociedade organizou historicamente o trabalho e atribuiu às mulheres as tarefas ligadas à reprodução social.
Helena explica que, enquanto a produção está relacionada à geração da riqueza necessária ao funcionamento do capitalismo, a reprodução social envolve trabalhos de cuidado, alimentação, saúde e manutenção da vida, atividades historicamente desvalorizadas e frequentemente realizadas de forma não remunerada por mulheres.
“Por estarem historicamente associadas às tarefas de reprodução social, as mulheres comumente estão mais ligadas a todas as atividades que se relacionam com a reprodução da vida. É muito comum vermos uma grande presença de mulheres nas lutas em defesa de um posto de saúde, por exemplo, da escola do bairro ou nas lutas em defesa da moradia, ao passo que a política institucional permanece sendo um espaço extremamente hostil à presença de mulheres”, detalha.
No caso das periferias brasileiras, essa presença também se relaciona à segregação racial da urbanização. Para Helena, historicamente, mulheres periféricas, em sua maioria negras, construíram redes de solidariedade para garantir a reprodução social de suas famílias e comunidades.
Essa organização também aparece diante da ausência do Estado. Helena cita a estrutura de atendimento à violência contra as mulheres na capital paulista como exemplo. São Paulo possui nove Delegacias de Defesa da Mulher, mas apenas três funcionam 24 horas.
É também no território que os problemas são identificados e transformados em reivindicações coletivas. Para Helena, essa organização ultrapassa a lógica da ocupação de cargos e também constitui uma forma de participação política.
A organização comunitária propicia a reivindicação de soluções para os problemas locais, ou seja, é uma forma de organização política propriamente dita.”
As experiências de Aureni, Luana e das mulheres que chegam a esses espaços revelam, assim, uma outra forma de fazer política: aquela que começa antes das urnas, dentro dos territórios, a partir das necessidades de quem vive neles.
Nessas redes, a informação circula de uma mulher para outra, por meio de uma formação, de uma palestra, de uma plenária, de uma indicação ou de uma conversa. Quando encontra um território organizado, pode se transformar em mobilização.
Essas mulheres não apenas encontram redes quando as respostas não chegam. Elas também constroem respostas, compartilham informação, reivindicam direitos e criam espaços para que outras mulheres possam falar, participar e decidir.
Como resume Helena, é nesses espaços territorializados que mulheres negras e periféricas protagonizam formas de fazer política “a partir de baixo”.
Para Aureni, essa construção coletiva se tornou central. O que começou com um pequeno grupo de mulheres aprendendo manicure e pedicure cresceu para uma rede que reúne formação, autonomia, acolhimento e acesso à informação.
Para Luana, a mesma lógica aparece quando uma mulher chega ao Fórum e encontra outras que reconhecem, ainda que de maneiras diferentes, aquilo que ela vive.
“A coletividade com outras mulheres faz com que a gente se sinta viva e no jogo. Não existe possibilidade de a gente produzir vida nos territórios sem a articulação de mulheres. A gente tem que se manter viva, fisicamente, simbolicamente e manter a chama da nossa comunidade acesa. Ou se junta, ou morre em vida”, conclui.