Fim de aval dos pais para aborto em adolescentes reduz tempo gestacional, diz estudo

04 de abril, 2025 Folha de S. Paulo Por Angela Boldrini

Pesquisa analisou efeitos de lei que derrubou exigência de consentimento dos pais para interrupção da gravidez em gestantes de 16 e 17 anos

Pesquisadores dos Estados Unidos encontraram uma correlação entre o fim da exigência de consentimento dos pais para aborto legal em gestantes de 16 e 17 anos e a diminuição da idade gestacional em que elas conseguem acessar o procedimento.

No estudo, publicado em fevereiro pelo American Journal of Public Health, foram analisados os efeitos de uma lei implementada no estado de Massachusetts em 2020, que retirou a necessidade de autorização dos pais para que adolescentes acima de 15 anos interrompam gestações.

Os pesquisadores analisaram dados de abortos realizados na Planned Parenthood League do estado entre maio de 2017 e junho de 2022, em gestantes de 16 a 19 anos, analisando as idades gestacionais das interrupções antes e depois da lei.

Os resultados mostraram que 749 abortos foram realizados nesse período em pessoas de 16 e 17 anos, e que a idade gestacional média das interrupções caiu quase 6 dias, praticamente uma semana gestacional.

Segundo a pesquisadora-chefe do estudo, Isabel Fulcher, a queda é relevante porque aumenta o acesso a métodos considerados menos invasivos de aborto, como os medicamentos. O aborto medicamentoso é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) até as 12 semanas de gestação, e quanto mais cedo a realização do procedimento, menores as taxas de complicação.

O estudo encontrou um aumento da taxa de aborto medicamentoso entre as adolescentes após a implementação da lei em Massachusetts, que entrou em vigor depois que Assembleia Legislativa do estado derrubou um veto do então governador Charlie Baker (Republicano).

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