Estes são os planos dos presidenciáveis para as mulheres, a população negra e a comunidade LGBTQIA+, por Leonardo Xavier do Nascimento

22 de setembro, 2026 Gênero e Número Por Leonardo Xavier do Nascimento

Escolha nas urnas definirá a alocação orçamentária para as pautas de gênero, raça e sexualidade e o grau de permeabilidade do Estado à atuação dos movimentos sociais.

O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 se aproxima e, mais do que nunca, este pleito traz uma atipicidade marcante. Diferentemente de outros momentos da nossa história recente, em que durante o período eleitoral prevalecia o debate público em torno das propostas e dos projetos de país apresentados pelas e pelos candidatos, nestas eleições o marco central tem se dado nas disputas de vazamentos, investigações e tentativas constantes de atingir a reputação de um ou outro adversário com o envolvimento em escândalos de corrupção.

O Brasil vive um ciclo contínuo de crise política desde 2013, marcado por escândalos que se sucedem, pelo golpe contra a primeira presidenta eleita, pela ascensão da extrema-direita e pelo desmonte de políticas públicas construídas no ciclo democrático – sobretudo durante os governos populares, que abriram as instituições às agendas dos movimentos sociais. Paralelamente, assistimos ao recrudescimento global da extrema-direita e de suas pautas, com forte impacto nos países da América Latina.

No cenário brasileiro de polarização profunda, aprofundado desde as eleições de 2022, observamos de um lado a consolidação de setores democráticos em torno da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT); de outro, setores reacionários com menor capacidade de coalizão (como evidenciam as diferentes candidaturas no espectro da direita e da extrema-direita), mas detentores de grande peso eleitoral na figura de Flávio Bolsonaro (PL), que hoje reúne o espólio político do bolsonarismo.

Esta é uma campanha fortemente atravessada por controvérsias e escândalos ruidosos. De um lado, o caso do Banco Master envolve o próprio presidenciável Flávio Bolsonaro em alegações sobre o financiamento do filme Dark Horse, além de citar integrantes do Supremo Tribunal Federal (corte que esteve à frente de decisões importantes no processo político brasileiro recente), diversos atores da centro-direita e da direita. De outro, as investigações sobre o INSS apuram supostas relações do filho do presidente Lula com a figura conhecida como “Careca do INSS”.

Para completar esse quadro conturbado, pesam ainda os fortes sinais de ingerência do governo de Donald Trump no pleito brasileiro, articulada de forma recorrente pela família Bolsonaro e por atores do bolsonarismo nos EUA.

Entretanto, diante desse contexto turbulento, não podemos perder de vista o essencial: o projeto eleito garantirá a continuidade, o fortalecimento ou o desmonte de políticas públicas vitais para os grupos mais vulnerabilizados – com destaque para mulheres, pessoas negras e população LGBTQIAPN+. Afinal, a escolha nas urnas definirá a alocação orçamentária para as pautas de gênero, raça e sexualidade e o grau de permeabilidade do Estado à atuação dos movimentos sociais.

Neste ínterim, atento às dinâmicas do poder e às assimetrias sociais, traço aqui um esboço comparativo entre os planos de governo protocolados pelos presidenciáveis deste ano. Ao examinar os programas propostos para a Presidência da República em 2026, a pergunta que faço é: como cada projeto de país reconhece e responde às desigualdades estruturais vivenciadas por mulheres negras, populações periféricas, povos tradicionais e a comunidade LGBTQIAPN+?

A análise comparativa dos planos revela modelos divergentes que se tensionam. De um lado, encontramos propostas que assimilam a igualdade racial e de gênero como dimensões estruturantes e transversais de todo o desenvolvimento nacional; de outro, abordagens que oscilam entre o punitivismo penal centrado exclusivamente na segurança, a privatização do bem-estar social, a psicologização moralizante das opressões e a rejeição explícita ou velada das ações afirmativas; e, no campo da esquerda radical, projetos que condicionam a emancipação dessas populações à superação imediata da ordem capitalista.

Todos os programas de governo dos presidenciáveis podem ser baixados no site do Tribunal Superior Eleitoral.

Acesse o artigo no site de origem e confira os planos dos presidenciáveis para as eleições de 2026.

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