Pesquisa busca voluntárias para saber como as mulheres vivenciam o parto no Brasil

Mulher em cama de hospital – Foto: Freepik

Foto: Freepik

22 de outubro, 2026 Jornal da USP Por Redação

Estudo global sobre atenção obstétrica, nascimento e saúde materna é liderado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP e vai comparar os resultados entre 16 países de cinco continentes

Um estudo do Consórcio Internacional The Birth Experience Study (IC-BESt), sediado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), quer compreender como as mulheres vivenciam o parto no Brasil, tanto nos serviços públicos quanto nos privados, e comparar essas experiências com as recomendações atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para participar da pesquisa, o questionário está disponível neste link.

Independentemente de quando foi o parto, a pesquisa quer ouvir a experiência de mulheres que deram à luz no Brasil.  O objetivo é contribuir para melhorar a assistência ao pré-natal, parto e pós-parto no País. O estudo global sobre atenção obstétrica, nascimento e saúde materna é liderado no Brasil pela professora Simone Diniz e equipe, todos da FSP, e é orientado pelos princípios da justiça reprodutiva e da interseccionalidade, usando métodos quantitativos e qualitativos, com utilização da plataforma Qualtrics.

No componente quantitativo, será realizado um questionário on-line, com participação de mulheres de todo o Brasil, para conhecer experiências positivas e negativas relacionadas ao parto. Grupos organizados de usuárias participaram da adaptação das escalas utilizadas na pesquisa e colaboram na interpretação dos resultados brasileiros.

No componente quantitativo, serão analisados os relatos das participantes em maior profundidade, explorando temas relevantes para a realidade brasileira, como as diferenças entre os setores público e privado e as experiências de grupos específicos, incluindo mulheres pretas, pardas e indígenas, mulheres acima do peso, mulheres com complicações clínicas e homens trans, que contarão com um questionário específico.

Os resultados permitirão comparar a experiência do parto no Brasil com a de outros 15 países participantes do IC-BESt, contribuindo para a produção de conhecimento internacional e para o aprimoramento da assistência ao parto. A participação é voluntária, confidencial e pode fazer a diferença para melhorar a experiência do parto de futuras gerações de mulheres e famílias no Brasil.

Por que esta pesquisa é importante? 

Nas últimas décadas, o Brasil alcançou importantes avanços na saúde materna. Hoje, praticamente todos os partos acontecem com a presença de profissionais de saúde. Ainda assim, persistem desafios como o uso frequente de intervenções desnecessárias durante o parto natural. Essas intervenções podem comprometer a experiência das mulheres, aumentar o risco de complicações e contribuir para as elevadas taxas de cesariana.

Por outro lado, a experiência do parto, conceito ligado à forma como cada mulher vivencia e interpreta os acontecimentos, vem recebendo mais atenção da pesquisa científica. Mais do que uma experiência, refere-se aos sentimentos e aos cuidados recebidos durante o trabalho de parto e o nascimento.

O parto envolve aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais e, como experiência única, é fortemente influenciada pela qualidade da assistência. Para algumas mulheres, o parto é um momento transformador e positivo; para outras, pode se tornar uma experiência negativa ou até traumática.

Estudos internacionais mostram que entre um terço e metade das mulheres descrevem o parto como uma experiência positiva. Por outro lado, entre um quinto e quase metade relatam experiências negativas ou traumáticas. Essas vivências têm impacto importante na saúde e no bem-estar das mulheres, dos bebês e de suas famílias.

Como participar da pesquisa

A participação consiste em responder a um questionário, abordando temas como o acesso ao sistema de saúde, a relação com os profissionais, as intervenções durante o parto, a assistência ao pós-parto e à saúde mental. A pesquisa busca dar voz às mulheres, promover práticas humanizadas e fortalecer políticas públicas voltadas ao parto e aos direitos reprodutivos. Os resultados da pesquisa serão divulgados nas redes sociais, onde as participantes podem acompanhar o estudo.

O nome e identidade das participantes não serão revelados em nenhum momento. As informações obtidas serão analisadas com total sigilo. A participação não envolve despesas e, em geral, as pessoas ficam mais aliviadas em compartilhar suas experiências. Porém, o conteúdo do questionário pode abordar questões delicadas que podem causar desconforto ou trazer lembranças difíceis. Se este for o seu caso, entre em contato com as redes de apoio indicadas no decorrer do questionário.

O tempo estimado para completar o questionário é de 60 a 90 minutos, dependendo da extensão das suas respostas. Você tem a liberdade de interromper o preenchimento a qualquer momento, sem quaisquer prejuízos. Caso deseje fazer uma pausa, é possível salvar e retomar de onde você parou por até sete dias.

A pesquisa traz questões com alternativas (apenas marcar uma ou mais opções), e outras que são abertas. Nas perguntas abertas, você pode digitar sua resposta, ou usar a função ditado (digitação por voz) no seu celular ou no computador. O preenchimento do questionário não serve como canal de denúncia, mas os organizadores podem dar informações sobre como e onde fazê-lo, se for o caso.

Para participar da pesquisa, acesse o questionário clicando aqui.

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