Eleições 2010: Com TV, mulheres põem Dilma mais perto da vitória no primeiro turno, por Fátima Pacheco Jordão

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Em maio, as pesquisas de intenção de voto para a Presidência apontavam empate entre Dilma Rousseff e José Serra. Em junho, a candidata do PT passava à frente do tucano. Em agosto –quando começam as aparições em debates e entrevistas e, logo depois, na propaganda eleitoral–, os números indicam a possibilidade de vitória da petista já no primeiro turno.

Não apenas nas taxas de intenção de voto espontâneo, mas também na simulação de segundo turno, os indicadores favoráveis a Dilma Rousseff superam com largueza os dos adversários.

Cautela e caldo de galinha

A consistência e o conjunto destes dados apontam para a possibilidade de vitória da situação já no primeiro turno. No entanto, faltam quarenta dias para o dia da eleição, longe ainda para projeções definitivas, por mais contundentes que sejam os dados do Datafolha de 20 de agosto. Alguns indicadores desta última pesquisa reforçam a necessidade de precaução: 45% das eleitoras e 29% dos eleitores ainda não apontam candidato de forma espontânea.

Dos que apontam candidato ou candidata com ajuda de lista, 27% das eleitoras dizem que podem mudar de voto até o dia da eleição, assim como 19% dos eleitores.

Os votos válidos que apontam Dilma Rousseff como vitoriosa já no primeiro turno são principalmente masculinos, pois ela tem 57% dos votos válidos entre eleitores e 51% entre eleitoras.

O impacto da campanha na TV

Ocorre que uma nova evidência a favor de Dilma Rousseff foi divulgada nesta última pesquisa Datafolha: ela cresce aceleradamente com a entrada da campanha pela televisão e supera Serra por 17 pontos. Além do mais, a campanha petista na TV é considerada a melhor para os que a assistiram.

Um terço dos eleitores, sem grande diferença entre homens e mulheres, viu a campanha pela TV. A vantagem da propaganda da candidata do presidente Lula já é notável, pois 72% de seus eleitores acham que ela está se saindo melhor na TV. Dentre os eleitores de Serra, 63% afirmam que ele é melhor e apenas 32% dos de Marina Silva (PV) a vêem bem na telinha. Ou seja, a relação Lula e Dilma, suporte mais significativo da continuidade, só agora se explicitou para um segmento importante de eleitores. Depois disso a candidata do governo disparou com 17 pontos de vantagem.

Tempo para mudar e consolidar o voto feminino

Os quarenta dias que vêm pela frente poderão dar tempo para mudanças e aperfeiçoamento da comunicação de Serra e Marina e melhorar a avaliação inicial favorável à dupla Dilma e Lula. No entanto, são tantos os indicadores favoráveis que a oposição vai precisar não só de competência, mas também de sorte.

Quanto a Dilma, precisará assegurar uma margem maior de votos válidos entre mulheres e consolidar os votos femininos que ainda estão voláteis. Talvez por isso Lula tenha começado a chamar Dilma de presidenta. Uma questão de gênero que a gramática poderá ajudar.


Análise realizada a partir de reprocessamento inédito das pesquisas sobre intenção de voto do Datafolha. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.

Este documento foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.

Colaboraram as pesquisadoras Ana Carla de Sá e Paula Cabrini (Perfil Urbano) e as jornalistas Marisa Sanematsu e Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão).

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mmpolitica090810_fpjordaoSobre a autora: Fátima Pacheco Jordão é socióloga e especialista em pesquisas de opinião. É assessora de pesquisa da TV Cultura e diretora do Instituto Patrícia Galvão.

Análise realizada a partir de reprocessamento inédito das pesquisas sobre intenção de voto do Datafolha. A produção de tabulações especiais foi realizada pelo Datafolha com exclusividade para o Instituto Patrícia Galvão, aplicando um filtro por gênero para separar os dados de homens e mulheres para todos os segmentos da amostra.

Este documento foi elaborado no contexto do Projeto Mulheres em Espaços de Poder do Instituto Patrícia Galvão, que tem o objetivo de analisar a percepção das mulheres enquanto eleitoras, com base nos levantamentos sobre intenção de voto realizados por institutos de pesquisa de opinião.

Contato com a autora:

Fátima Pacheco Jordão – socióloga
TV Cultura e Instituto Patrícia Galvão
São Paulo/SP
(11) 3826-7651/ 9423-9402 – [email protected]
Fala sobre: mídia; estratégias de comunicação; pesquisas de opinião


Indicação de fontes:

Clara Araújo – socióloga e pesquisadora
Departamento de Ciências Sociais da UERJ
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2587-7678 – [email protected]
Fala sobre: participação das mulheres na política

José Eustáquio Diniz Alves – demógrafo e pesquisador
Professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais
da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE
Rio de Janeiro/RJ
(21) 214246 89/ 9966 6432 – [email protected]
Fala sobre: política, poder e a baixa representação das mulheres nos espaços de decisão; pesquisas e dados sobre essa realidade em outros países

 

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