Relatório da ONU aponta desafio mundial para igualar homens e mulheres

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Relatório sobre desenvolvimento humano da ONU mostra que 56,3% das mulheres acima de 15 anos estão no mercado de trabalho, ante 78,5% dos homens

O relatório sobre desenvolvimento das Nações Unidas tem entre as mensagens-chave a necessidade de se garantir a igualdade entre homens e mulheres. Se tal caminho não for percorrido, diz o estudo, não há como se chegar ao desenvolvimento pleno. Os dados apontados pelo estudo deixam evidente que há uma longa jornada pela frente.

(O Estado de S. Paulo, 21/03/2017 – acesse no site de origem)

O estudo mostra, por exemplo, que no mundo uma entre cada três mulheres foi vítima de violência física ou sexual. Elas também ganham menos, ocupam menos cargos de chefia e, em 18 países, precisam da aprovação do marido para trabalhar.

Clique aqui para fazer download do Relatório do Desenvolvimento Humano 2016 (documento em inglês)

Os reflexos sobre qualidade de vida são claros. O relatório aponta que, na América Latina e no Caribe, há 117 mulheres vivendo em domicílios pobres para cada 100 homens na mesma situação. “Não é possível alcançar o desenvolvimento humano para todos se metade da humanidade é ignorada”, afirmou a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andrea Bolzon.

Leia mais:
Banco Mundial alerta para desigualdade entre mulheres brasileiras (Rádio ONU, 22/03/2017)
“Maiores desafios às mulheres são violência e desigualdade”, diz Fátima Pelaes ((Rádio ONU, 23/03/2017)
75% da população quer prioridade para políticas de promoção da igualdade de gênero nas cidades (ONU Mulheres, 14/03/2017)

Os números no Brasil repetem a lógica de desigualdade. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram o registro de uma denúncia de violência contra a mulher a cada sete minutos. Aqui, elas recebem até 25% a menos que homens desempenhando trabalhos semelhantes.

O relatório traz dois índices para avaliar as desigualdades de gênero. O Índice de Desigualdade de Gênero (IDgG) retrata as diferenças de oportunidades no acesso à saúde reprodutiva e à atividade econômica e de avanço do empoderamento.

Com a avaliação desse índice, o Brasil é deslocado para a 92.ª posição em uma lista de 159 países. Motivos não faltam. A taxa de mortalidade materna é de 44 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. A Noruega, a primeira colocada no ranking, apresenta 5 mortes para cada 100 mil. Na política brasileira, apenas 10% dos assentos do parlamento são ocupados por mulheres. Até na Arábia Saudita o indicador é melhor que o do Brasil (19,9%) e a vizinha Argentina tem 37%.

A participação no mercado de trabalho também estampa a desigualdade. O levantamento mostra que 56,3% das mulheres acima de 15 anos estão no mercado de trabalho. Entre o grupo masculino, o índice é de 78,5%.

Mais dados. Além do IDgG, o relatório traz outro índice para avaliar as diferenças entre gêneros. Batizado de Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDvG), ele destrincha os dados do IDH geral para grupos masculino e feminino. Por esse indicador, o IDH de homens é 0,751 e o das mulheres, 0,754. A melhor pontuação do grupo feminino ocorre nas áreas de educação e expectativa de vida.

A média de anos de escolaridade entre as mulheres é de 8,1 e de homens, de 7,5. Já a expectativa de vida ao nascer das mulheres é de 78,5 e dos homens, 71. Embora a escolaridade das mulheres seja mais elevada, a renda per capita é maior entre homens. A renda das mulheres é de 10,672 (ppp paridade de poder de compra, uma medida internacional usada para permitir comparação entre diferentes moedas). Para homens, o indicador salta para 17.736 ppp.

Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

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