8 em cada 10 mães já vivenciaram algum tipo de obstáculo de gênero na carreira

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Foto: Freepik

11 de maio, 2026 Nexus Por Redação

Levantamento com lideranças femininas mostra que 45% das profissionais sem filhos indicam terem sido ajudadas principalmente por outras mulheres ao longo da carreira, percentual que cai para 38% entre as que são mães

Pesquisa feita pela Todas Group e pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com mulheres em cargos de liderança revela que 79% das mães que tentam conciliar carreira e maternidade no ambiente corporativo relataram algum tipo de obstáculo. O estudo, conduzido com 1.534 mulheres que atuam em grandes empresas e multinacionais, aponta que ser mãe reduz a rede de apoio feminina e intensifica o isolamento no trabalho, mesmo quando a trajetória segue em ascensão.

A média geral de mulheres que afirmam terem enfrentado barreiras de gênero no ambiente de trabalho é um pouco menor, de 77%, e entre quem não tem filhos são 73% as que afirmam a mesma coisa.

Segundo a pesquisa, 45% das profissionais sem filhos dizem ter sido ajudadas principalmente por outras mulheres ao longo da carreira, percentual que cai para 38% entre as que são mães. Ao lidar com a maternidade, as profissionais também observam mais obstáculos: 33% das mães entrevistadas relataram ter enfrentado muitas barreiras para crescer por serem mulheres, enquanto 28% das profissionais sem filhos têm a mesma percepção.

No total, 79% das mães disseram que já vivenciaram algum tipo de obstáculo de gênero em suas trajetórias, número também superior ao observado entre as que não têm filhos (73%). “Essas diferenças sinalizam uma ruptura de aliança que acontece justamente no momento em que o apoio seria mais necessário. Os números mostram que hoje a chegada dos filhos parece criar uma barreira invisível que afasta colegas, mentoras e aliadas”, observa Dhafyni Mendes, cofundadora da Todas Group.

Não por acaso, uma em cada quatro mulheres disse ter renunciado à maternidade ou ao desejo de ter filhos para crescer na carreira. Embora todas as entrevistadas tenham relatado que precisaram abrir mão de algo importante na vida para avançar profissionalmente, o tipo de renúncia e a intensidade diferem entre os dois grupos.

Por exemplo, 67% das mães dizem ter sacrificado o tempo com a família — índice 33 pontos percentuais acima das mulheres sem filhos (34%), a média geral é de 53%. Esse foi o segundo tipo de renúncia mais mencionado pelas mães, atrás apenas de autocuidado (74%, praticamente igual aos 73% das colegas que não são mães e o mesmo percentual da média geral). O terceiro foi saúde mental (48%, contra 59%).

Falta apoio entre homens e mulheres

Entre as profissionais mães, 57% dizem já terem sentido que um homem colocou barreiras ou dificultou seu crescimento por ela ser mulher, índice que é de 43% entre as que não são mães. Além disso, 21% das profissionais com filhos consideram que os homens não contribuem para a equidade de gênero no trabalho. Já entre as que não são mães, 17% pensam da mesma forma.

“A pesquisa mostra que, no público investigado, a maternidade não necessariamente interrompe a trajetória profissional, mas altera profundamente as condições em que ela acontece. O que vemos é uma combinação de maior percepção de barreiras, redução da rede de apoio e aumento das renúncias, especialmente em aspectos pessoais e familiares”, diz Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

O apoio dos homens, no entanto, aumenta entre as mulheres que têm filhos: 16% delas disseram ter sido apoiadas principalmente por homens na carreira, enquanto 12% das mulheres sem filhos têm a mesma percepção. Ao mesmo tempo, 56% das mães dizem que algum homem já as defendeu em situação de preconceito no trabalho, contra 44% das não mães.

Perguntadas sobre as atitudes mais importantes que os homens deveriam ter para serem aliados reais, as mais citadas pelas mães foram defesa ativa da licença-paternidade e divisão do cuidado com os filhos (65%) e respeito ao tempo de fala das mulheres (58%).

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