Mulheres só ganham mais em setores onde são minoria, aponta estudo

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Foto: Tima Miroshnichenko/ Pexels

12 de março, 2026 O Globo Por Lívia Mendes

Elas só ganham mais que os homens na construção, setor onde são minoria, diz pesquisa da FGV

A diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho continua apresentando altos índices. Mesmo em áreas onde as mulheres são maioria, como educação, saúde humana e serviços sociais, elas ainda recebem salários significativamente menores que os dos homens. Já nos setores em que ganham mais que eles, como o de construção, elas representam apenas 4% dos profissionais.

Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro, o segmento que abrange serviços de educação, saúde e serviços sociais é o segundo a concentrar a maior participação feminina: 74% dos trabalhadores são mulheres.

Só fica atrás do trabalho doméstico, em que 92% dos profissionais são mulheres. No entanto, apesar de ser um setor com forte presença feminina, tem a maior desigualdades salarial, com as mulheres recebendo 39% menos que os homens.

De acordo com Isabela Duarte Kelly, pesquisadora do FGV IBRE, essa disparidade ocorre porque, nessas áreas, as mulheres costumam ocupar cargos de menor remuneração e, mesmo quando ocupam a mesma função, ganham menos.

— Elas vão ser professoras, mas muitas vezes vão atuar no ensino infantil em que normalmente ganham menos. Já os homens vão ser professores do ensino superior em que ganham mais — disse Kelly. — Na saúde, os homens em sua maioria vão ser médicos e as mulheres enfermeiras, que vão ganhar menos que eles por conta da função. Mas, se elas são médicas também, continuam ganhando menos que os médicos homens.

Ela complementou:

— A mulher tem responsabilidade no lar e isso acaba impactando a forma de entrada e permanência delas no mercado de trabalho, mas também a sua ascensão. Às vezes, com a dupla jornada e os afazeres domésticos, a mulher não consegue ter tempo para se dedicar ao trabalho.

A pesquisa aponta que, no último trimestre de 2025, a diferença salarial entre homens e mulheres foi de 21% – ou seja, as mulheres recebem, em média, 21% menos que os homens. Porém, a porcentagem pode aumentar de acordo com a área de atuação. O estudo também revelou que as mulheres negras recebem, em média, 24% menos que as mulheres brancas e 40% menos que os homens.

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