Empreendedorismo ajuda a salvar mulheres da violência doméstica

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Em 2010, a publicitária Ana Fontes criou um blog para compartilhar dicas e conteúdos sobre gestão para mulheres que empreendiam ou desejavam abrir seu próprio negócio. Batizado de Rede Mulher Empreendedora, ele logo ganhou uma página no Facebook e virou de fato uma rede de apoio, que conta hoje com mais de 500 mil mulheres, considerando cadastradas e seguidoras.

(Universa, 02/04/2018 – acesse no site de origem)

Entre tantas histórias de superação que já ouviu, uma marcou Ana profundamente. Depois de conseguir tirar do papel sua ideia, uma das empreendedoras da rede contou a Ana que havia também se separado do marido. O relato, a princípio, lhe causou um desconforto. “Fiquei assustada ao pensar que estaria promovendo o fim de relacionamentos”, disse durante uma palestra em São Paulo. “Mas ela logo justificou que o término tinha sido positivo, pois colocou fim a um relacionamento abusivo, marcado por violência física.”

O prejuízo da dependência financeira

Segundo a pesquisa Data Senado 2017, 32% das mulheres em situação de violência doméstica não denunciam porque dependem financeiramente do agressor. Levantamentos sobre o assunto mostram ainda que um dos fatores de risco à mulher em situação de violência é a conduta do agressor de impedi-la de trabalhar ou estudar.

“Isso é extremamente grave”, diz a promotora de Justiça Fabíola Sucasas, assessora do Centro de Apoio Operacional Cívil na área de Direitos Humanos e autora do projeto “Prevenção da Violência Doméstica com Estratégia de Saúde da Família” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Por isso, ela defende o empreendedorismo como forma de romper com o ciclo de violência.

“Ele garante independência financeira, algo fundamental às vítimas”, justifica a promotora. Ana Fontes acrescenta: “Quando nos tornamos donas do nosso próprio dinheiro, nos tornamos donas também das nossas decisões”.

Elas já são maioria na área

Para romper o vínculo da dependência econômica e transformar a realidade de muitas mulheres, o Ministério Público de São Paulo preparou em parceria com o Sebrae-SP a cartilha “Prevenção da violência doméstica e familiar contra as mulheres com a estratégia de saúde da família”, distribuída principalmente nas zonas periféricas da cidade e que carrega um capítulo sobre a conquista da independência financeira por meio do empreendedorismo.

Um levantamento do Sebrae identificou que as mulheres já correspondem hoje a 51% dos empreendedores iniciais. E as empresas chefiadas por elas estão concentradas principalmente em quatro áreas de atuação: restaurantes (16%), serviços domésticos (16%), cabeleireiros (13%) e comércio de cosméticos (9%). A maior parte trabalha dentro de casa (35%).

“Empreender também significa para as mulheres uma oportunidade de conciliar a vida pessoal e profissional”, diz o material. “No caso das mães, é possível ter o próprio negócio, se sustentar e ainda cuidar dos filhos.” Isso sem falar na satisfação pessoal em fazer algo diferente e novo.

O que é preciso para começar a empreender?

Abrir o próprio negócio envolve muitos desafios. E algumas características são fundamentais nessa trajetória. Veja o que sugere a cartilha:

  • Busque informação: pesquise sobre o produto ou serviço que deseja oferecer, busque informações sobre possíveis clientes, fornecedores e quem são seus concorrentes. Com essa pesquisa fica mais fácil identificar oportunidades e repensar a ideia de negócio.
  • Esteja comprometida: principalmente no começo da empresa, as atividades serão feitas pela dona do negócio; isso demandará esforço pessoal e foco nas tarefas.
  • Persista: empreender é um desafio, não desanime. Esteja motivada, convicta, entusiasmada e creia nas possibilidades. Comemore cada conquista.
  • Estabeleça metas: pense onde você quer chegar. Defina metas e objetivos de vendas, conquistas de clientes e receita, por exemplo. As metas podem ser definidas por dia, mês e ano. Assim fica mais fácil analisar se está alcançando o que foi estabelecido.
  • Planeje e acompanhe: para tornar real e medir os objetivos e metas é preciso planejar as atividades e acompanhar os resultados, dessa forma é possível verificar se sua empresa está apresentando bons resultados.

Daniela Carasco

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