95% das mulheres cearenses temem sofrer algum tipo de violência, revela pesquisa

Blonde woman standing over pink background covering eyes with hands and doing stop gesture with sad and fear expression. embarrassed and negative concept.

Foto: Freepik

07 de abril, 2026 g1 Por Redação

Levantamento ‘Mulher Coragem’, realizado pela Ipsos-Ipec, traz resultados sobre medos vivenciados pelas mulheres. Mais da metade delas relatou já ter sofrido alguma violência.

O medo de sofrer algum tipo de violência atinge 95% das mulheres cearenses, segundo a pesquisa ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”. O levantamento foi realizado pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão.

Os diversos tipos de violência, como sexual, física e psicológica, são levados em conta no levantamento. Do total de entrevistadas, mais da metade relatou já ter passado por algum episódio de violência.

A pesquisa entrevistou 2.032 mulheres, com idades a partir dos 16 anos, em 77 cidades do Ceará, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Medos da violência

Na pesquisa, as entrevistadas foram perguntadas sobre diferentes tipos de violência que elas mais têm medo de sofrer.

O principal medo enfrentado pelas mulheres é o de sofrer violência sexual. No levantamento, 61% das entrevistadas relataram temer passar por este tipo de violência – que inclui episódios de assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupros.

Em segundo lugar, com 47% das respostas, aparece o medo de sofrer alguma violência física. Outro destaque é o medo de sofrer violência psicológica, relatado por 43% das entrevistadas.

A violência doméstica, temida por quase uma em cada quatro mulheres, se refere aos diversos tipos de violência cometidos no contexto da própria casa da mulher, no ambiente doméstico e familiar.

Tipos de violência mais temidos pelas mulheres cearenses:

  • 61% – Violência sexual: assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupro.
  • 47% – Violência física: agressão, empurrão, tapa ou espancamento.
  • 43% – Violência psicológica: ameaça, xingamento, ofensa, bullying, assédio moral e isolamento.
  • 24% – Violência doméstica: violência física, psicológica, patrimonial ou sexual ocorrida dentro da sua própria casa, no ambiente doméstico/familiar.
  • 19% – Violência virtual: cyberbullying, ataque em redes sociais, exposição de fotos, ameaças online ou recebimento de nudes sem consentimento.
  • 17% – Violência policial: abordagem abusiva, uso excessivo da força ou agressão por agentes de segurança e policiais.
  • 12% – Violência institucional: mau atendimento, discriminação ou desrespeito em órgãos públicos, como as delegacias gerais.
  • 11% – Violência patrimonial: quebra de objetos, furto e roubo, retenção de documentos por pessoas fora de suas relações íntimas e familiares.
  • 3% – Não temem sofrer esses tipos de violência
  • 2% – Não souberam ou não responderam

Mais da metade já sofreu violência

O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica.

Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses:

  • 28% – Violência psicológica;
  • 16% – Violência física;
  • 15% – Violência sexual;
  • 11% – Violência doméstica;
  • 9% – Violência virtual;
  • 6% – Violência patrimonial;
  • 8% Violência institucional;
  • 3% – Violência policial;
  • 48% – Não sofreram nenhum desses tipos de violência.

A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%).

Impunidade dos agressores é fator mais apontado

Dentre os fatores que, na opinião das mulheres ouvidas pela pesquisa, mais contribuem para a insegurança e a violência contra as mulheres no Ceará, a impunidade dos agressores aparece em primeiro lugar.

Fatores que contribuem para insegurança e violência contra as mulheres:

  • 37% – Impunidade dos agressores;
  • 29% – Pouco policiamento;
  • 28% – Cultura machista;
  • 27% – Vícios (álcool, drogas) dos agressores;
  • 26% – Falta de segurança dentro do transporte público;
  • 20% – Falta de empatia/solidariedade;
  • 19% – Falta de segurança nos pontos de ônibus e terminais;
  • 14% – Espaços públicos abandonados;
  • 12% – Falta de segurança dentro do transporte individual por aplicativos (Uber, táxi, etc.);
  • 11% – Despreparo dos agentes da polícia;
  • 10% – Falta de iluminação pública adequada;
  • 8% – Falta de canais de denúncia eficazes;
  • 3% – Não sabe/ Não respondeu.

A pesquisa ressalta, ainda, que a cultura machista foi apontada majoritariamente entre mulheres com idades entre 16 e 24 anos (37%) e entre 25 e 34 anos (36%). Para mulheres acima de 60 anos, este fator foi apontado apenas para 16%.

Conforme o levantamento, este aspecto revela diferenças geracionais, visto que as entrevistadas mais jovens enfatizam o machismo, enquanto as mais idosas tendem a minimizar este fator.

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