29/06/2011 – 52% acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres

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Pesquisa sobre violência doméstica, realizada pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 52% dos homens e mulheres acham que juízes e policiais desqualificam o problema da violência contra as mulheres.

Veja mais dados e gráficos: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011

Medo de ser morta paralisa a vítima 

A pesquisa “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil”, realizada em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, aponta que o medo de ser morta é outro dos principais motivos que leva a vítima a não romper com o agressor. Na região Centro-Oeste, esse motivo foi apontado por 21% das entrevistadas. No Sudeste, por 15%; no Sul, por 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%.

“É uma vergonha as mulheres não saírem de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar”, afirmou a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão.

Homens batem “sem motivo” 

Segundo Fátima Jordão, uma técnica sofisticada foi utilizada pela primeira vez na pesquisa com a finalidade de obter respostas mais fidedignas. “No capítulo relativo à violência vivenciada por homens e mulheres, os entrevistados preencheram o questionário em sigilo e colocaram em um envelope. Dessa forma, evitou-se que o entrevistado se sentisse inibido ou influenciado.”

Dos homens entrevistados, 15% admitiram já terem agredido  fisicamente as mulheres, sendo que 12% afirmaram ter batido nas companheiras “sem motivo” e 38% por ciúme.

População não confia na proteção da polícia

O estudo mostrou ainda que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens.

“O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência para que a mulher confie e vá denunciar, ainda estão aquém da necessidade”, afirma Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.

Em todo o país há somente 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário.

Acesse a publicação em pdf: Pesquisa Instituto Avon/Ipsos Percepções sobre a Violência Doméstica Contra a Mulher no Brasil 2011

Veja essas matérias na íntegra:
Dependência emocional pode colocar vida em risco (O Dia Online – 11/07/2011)   
Pesquisa: em cada 10, 6 conhecem mulher vítima de violência doméstica (Globo/Blog Razão Social – 08/07/2011)
Pesquisa revela que quase metade das mulheres já sofreram violência doméstica (O Globo – 29/06/2011) 
Quase metade das mulheres já foi agredida pelo companheiro (Jornal da Bandeirantes – 29/06/2011) 
15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (iG – 29/06/2011) 
6 em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher vítima de violência doméstica (Folha.com/Empreendedor Social – 29/06/2011)  
15% dos homens brasileiros admitem já ter agredido uma mulher (Mídia News – 29/06/2011)  
Mulheres agredidas em casa temem morte (Jornal do Commercio – 29/06/2011)  
Coisas conjugais, por Luiz Garcia (O Globo – 01/07/2011) 


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