Número representa alta de 16,7% em comparação a 2024; dados fazem parte do levantamento do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Em 2025, o Brasil registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência em 2025, um aumento de 16,7% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
As medidas, previstas na Lei Maria da Penha, têm como objetivo garantir a segurança de mulheres vítimas de violência doméstica. Entre as determinações judiciais estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e a restrição de aproximação.
Segundo o levantamento, são, em média, 362 medidas descumpridas por dia, 15 a cada hora.
Apesar de serem um dos principais mecanismos de proteção às vítimas, quando olhado para um recorte mais específico, os dados mostram que o descumprimento das determinações judiciais continua preocupante. Em 2025, para cada feminicídio cometido no Brasil, houve 84 registros de descumprimento de medida protetiva de urgência, além de ocorrências de perseguição e outras formas de violência contra mulheres.
Violência contra mulheres continua em alta
O cenário é acompanhado pelo crescimento de diferentes formas de violência de gênero. Em 2025, os registros de violência psicológica chegaram a 60.830 casos, uma alta de 16,9% em relação ao ano anterior. Já os casos de ameaça cresceram 0,5%, totalizando 788.531 ocorrências.
Em entrevista à CNN Brasil, a Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que isso mostra que essas mulheres continuam em situação de alto risco e precisam ser tratadas como prioridade pelas políticas públicas de proteção.
O feminicídio é o desfecho de um ciclo de violências que, muitas vezes, já era conhecido pelas instituições. O desafio é conseguir interromper essa escalada antes que ela termine em morte”, afirma.
Ao todo, o país contabilizou 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica já analisada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.