Senado aprova pacote de proteção às mulheres com programa nacional de prevenção e mudança na Lei Maria da Penha

12 de março, 2026 O Globo Por Luísa Marzullo

Medidas incluem nova regra para audiência de retratação em casos de agressão doméstica e medalha para homens que atuem contra a violência

O Senado aprovou nesta terça-feira um conjunto de três propostas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo iniciativas de prevenção, mudanças na Lei Maria da Penha e a criação de uma medalha para reconhecer homens que atuam no combate à violência de gênero.

Durante a tramitação das propostas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ressaltou a importância das medidas:

— Minha homenagem vai a todas as mulheres deste país. Amanhã será inaugurada a sala lilás do Senado Federal e trata-se da primeira sala em um órgão legislativo no país.

O primeiro texto cria uma política nacional voltada à prevenção da violência contra mulheres, com ações de conscientização, capacitação de profissionais da rede de atendimento e fortalecimento dos mecanismos de acolhimento e orientação às vítimas.

A matéria foi relatada em plenário pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) e teve a urgência aprovada para votação. A iniciativa busca integrar diferentes áreas do poder público, como segurança, justiça, saúde e assistência social, para ampliar as políticas de prevenção e fortalecer a rede de proteção às mulheres. Agora, segue para a Câmara dos Deputados.

Na mesma sessão, os senadores também aprovaram o projeto de lei da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que altera a Lei Maria da Penha para estabelecer novas regras para a chamada audiência de retratação. Pelo texto, esse procedimento só poderá ocorrer se houver manifestação expressa da própria vítima apresentada antes do recebimento da denúncia pela Justiça.

A proposta busca impedir que a audiência seja convocada automaticamente pelo juiz sem solicitação da mulher. Parlamentares que defenderam a mudança afirmam que a prática pode expor vítimas a constrangimentos ou pressões para que desistam da denúncia.

O projeto foi relatado no plenário pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e já havia recebido parecer favorável na Comissão de Direitos Humanos e na Comissão de Constituição e Justiça. Durante a votação, os senadores aprovaram apenas uma emenda de redação, sem alteração no mérito da proposta.

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