Histórias de aborto são segredo para o mundo, mas não para as mulheres, por Debora Diniz

04/06/2017 - 15:04 -
Email this to someoneShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0

Falar sobre aborto é uma forma de romper o estigma, de enfrentar o medo, e, principalmente, de proteger outras mulheres.

(HuffPost Brasil, 02/06/2017 – acesse no site de origem)

Precisamos ouvir histórias de aborto. Histórias que todas as mulheres contamos ou ouvimos. Elas são segredos para o mundo, mas não para nós. O mundo precisa ouvi-las. Falar sobre aborto é uma forma de romper o estigma, de enfrentar o medo, e, principalmente, de proteger outras mulheres. Juntas, mostraremos umas às outras que não estamos sozinhas e que nossas histórias importam para a vida em comunidade. Pelo medo de prisão, as mulheres correm risco de vida, põem sua própria saúde em risco.

Mas muitas de nós nunca contaram suas histórias. Essa é uma oportunidade de dar sentido ao vivido e amparar outras mulheres.

A Anis iniciou a campanha “Eu vou contar”. Estou aqui como escutadeira de histórias. Estou aqui para ouvir cada uma que quiser compartilhar como foi, quando foi, o que sentiu. Tenho registro de jornalista, o que nos garante, pela lei, sigilo de fonte. Mas não quero falar de lei, quero falar de ética no encontro entre mulheres.

Eu ouvirei a história que você me contar, e escreverei sobre ela, você será a primeira ler. Se estivermos de acordo, nós publicaremos uma por semana na nossa página e nas páginas de nossas colegas pelo Brasil.

Nós precisamos nos cuidar mutuamente. Eu adoraria poder ouvir todas as histórias, de todas as mulheres, histórias do instante e do passado. Mas não é seguro, mesmo havendo o direito de sigilo de fonte.

Por isso, não vamos nos arriscar: só me conte a história se seu aborto tiver sido há mais de oito anos. Se não for o caso, uma amiga sua pode contar a história, você pode contar a história de sua mãe, de sua avó, de sua vizinha. Todas temos histórias nossas ou de outras mulheres.

O número é este: (61) 99183-7425.

A Anis está com duas campanhas ao mesmo tempo, assim não se confunda – uma delas é esta “Eu vou contar”. A outra é nosso socorro permanente aos jovens pesquisadores em busca de iluminação sobre como montar um projeto, como escrever um texto acadêmico, como dominar as quinquilharias da pesquisa. Quando você nos escrever, serei eu, Debora Diniz, a lhe responder em qualquer uma das dúvidas.