Tudo é político quando você é uma mulher, por Clara Averbuck

09/06/2017 - 15:51 -
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Custo a entender por que tantas mulheres silenciam diante de um presidente (ilegítimo, diga-se de passagem) que já se mostrou machista em diversas ocasiões, como quando citou que a participação da mulher era importantíssima na economia pois eram elas que sabiam as flutuações do preço do mercado, entre outros absurdos, como afirmar que o Brasil precisa passar de marido pra marido, sem nem mencionar quando ele disse que seu governo teria representantes do mundo feminino.

(Revista Donna, 09/06/2017 – acesse no site de origem)

Presidente, meu senhor, nós, mulheres, habitamos o mesmo mundo que os homens. Não há um “mundo feminino”. Se houvesse, sinceramente, eu talvez gostasse de ir para lá, posto que as ações do “mundo masculino” não me parecem estar indo muito bem, não é mesmo? A gravidade tem sido bem dura com elas, que se dirigem diretamente ao abismo.

Não sei se a leitora sabe, mas nasci em Porto Alegre e moro em São Paulo há 17 anos. E aqui, diante da insatisfação generalizada de mulheres que veem seus direitos ameaçados por este governo, esta câmara conservadora e essas reformas que vão afetar as mulheres em primeiro lugar, resolvemos fazer um ato por eleições diretas.

Porque somos contra um presidente ilegítimo e contra um congresso que não nos representa.

Porque queremos mais democracia e mais participação popular.

Porque a população tem o direito de escolher, e as diretas são o único caminho para isso.

Porque nós, mulheres, somos maioria da população e temos nossos direitos violados diariamente.

Porque juntas somos mais fortes. Porque se você acha que não tem nada a ver com você, está enganada. Tudo é político quando você é uma mulher.

Somos contra a reforma trabalhista que vai prejudicar especialmente as mulheres aumentando a precariedade e a vulnerabilidade em seu trabalho.

Contra a reforma da previdência que dificulta a aposentadoria principalmente para as mulheres por conta de uma divisão de trabalho perversa, já que temos dupla, tripla jornada.

Somos pela revogação da PEC 55/2016 que congela os investimentos públicos na Saúde, Educação e Assistência Social por 20 anos.

Contra a PEC 29/2015 que veta o aborto legal (em casos de risco de vida à gestante, estupro e/ou anencefalia); pela legalização do aborto e regulamentação de sua prática no serviço público de saúde (SUS), pois aborto não é uma questão de opinião, ética ou crença, e, sim, de saúde pública, posto que as mulheres seguem abortando e seguem morrendo enquanto homens decidem por nossas vidas e corpos.

Queremos o combate a todas as formas de violência contra as mulheres e fim da cultura do estupro, direitos e visibilidade da população LGBT, contra a LGBTfobia e contra o assassinato da população trans. Queremos o fim do genocídio da juventude negra.

Queremos uma nova política econômica voltada para a sustentabilidade da vida humana.

Queremos exercício pleno do direito à saúde, educação e moradia popular.

É muita coisa, né? É muita coisa que precisa mudar neste país. E nada vai mudar se nós, mulheres, não nos mobilizarmos.

Em São Paulo será neste domingo. E em Porto Alegre, será quando?

Me avisem pra eu comprar minha passagem.