O custo invisível das pausas na carreira para as mulheres

13 de janeiro, 2026 Carta Capital Por Redação

Pausas na carreira afetam homens e mulheres de forma distinta no Brasil e ampliam desigualdades no retorno ao mercado de trabalho

As pausas na carreira seguem sendo tratadas como decisões individuais. Dados recentes mostram outro quadro. No Brasil, homens e mulheres interrompem a trajetória profissional por motivos distintos, mas o impacto no retorno ao mercado não é equivalente, sobretudo para as mulheres.

Uma pesquisa realizada em 2025 pela Be Back Now, em parceria com a NOZ Inteligência, analisou os principais fatores que levam profissionais a interromper a carreira. O levantamento também mediu o tempo e as condições de retorno ao trabalho após esse intervalo.

Os resultados indicam que o efeito das pausas na carreira se estende muito além do período de afastamento, criando desvantagens persistentes para as mulheres.

Motivos diferentes para interromper a carreira

Entre as mulheres entrevistadas, 28,8% apontaram a maternidade como principal motivo da pausa. Questões ligadas à saúde mental e ao cuidado de familiares também aparecem com maior frequência nesse grupo.

Entre os homens, o cenário é distinto. Segundo a pesquisa, 32,8% indicaram o desemprego como razão central para interromper a trajetória profissional, seguido por tentativas de empreender.

Para Tetê Baggio, CEO e fundadora da Be Back Now, essas diferenças refletem a divisão desigual do trabalho de cuidado no país. Ela afirma que essa assimetria influencia diretamente o retorno ao mercado após as pausas na carreira.

O retorno ao mercado não é igual

A desigualdade se intensifica após a interrupção. Dados do Movimento Mulher 360 mostram que mulheres são cinco vezes mais propensas do que homens a deixar o mercado de trabalho após a chegada dos filhos.

Além disso, uma parcela relevante permanece fora do emprego formal por três anos ou mais. Entre os homens, períodos prolongados de afastamento são menos frequentes, mesmo quando a pausa ocorre por desemprego.

Esse descompasso revela que as pausas na carreira associadas ao cuidado tendem a gerar penalidades maiores no retorno.

Tempo fora do mercado amplia barreiras

Quanto maior o período de afastamento, maiores são as dificuldades para voltar. A perda de vínculos profissionais, a percepção de defasagem de competências e o estigma em torno de trajetórias não lineares reduzem as chances de reinserção.

Esses obstáculos afetam de forma mais intensa as mulheres que pausaram a carreira por responsabilidades familiares. O impacto não se limita à recolocação imediata, mas se estende aos rendimentos futuros, às contribuições previdenciárias e ao acesso a cargos de liderança.

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