Especialistas esclarecem dúvidas cruciais sobre genética, novos tratamentos e gravidez; descubra fatos essenciais para cuidar melhor da sua saúde
O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam 78.610 novos casos anuais no país entre 2026 e 2028, representando 30% dos diagnósticos femininos. Em 2023, a doença provocou 20.165 mortes no Brasil.
A oncologista Elisa Porto, do Hospital Brasília, e a mastologista Raiana Borges, da Maternidade Brasília, integrantes da Rede Américas, esclarecem mitos e verdades sobre prevenção, diagnóstico e tratamento:
- Todo câncer de mama é igual: mito. Existem diferentes subtipos biológicos e moleculares, definidos por receptores hormonais e pela proteína HER2, exigindo abordagens terapêuticas distintas para cada paciente.
- Toda paciente precisa de quimioterapia: mito. A indicação depende do estágio, subtipo e risco de retorno da doença. Testes genômicos podem identificar quem realmente obtém benefício com essa terapia.
- A ausência de casos na família elimina o risco: mito. O INCA calcula que apenas 5% a 10% dos casos são hereditários. Fatores reprodutivos, idade, consumo de álcool, excesso de peso e inatividade física também influenciam o aparecimento do tumor.
- Exercício físico deve ser evitado durante o tratamento: mito. Quando orientado e adaptado, o treino reduz a fadiga, preserva a mobilidade e melhora o sono, o humor e a qualidade de vida.
- A amamentação ajuda a prevenir a doença: verdade. O aleitamento reduz o risco de desenvolver o tumor devido a alterações hormonais e no tecido mamário, com benefício ampliado quanto maior o tempo de amamentação ao longo da vida.
- Medicamentos modernos levam quimioterapia direto à célula tumoral: verdade. Os conjugados anticorpo-fármaco (ADC) unem um anticorpo a uma substância citotóxica para atingir alvos específicos, embora apresentem efeitos adversos e indicações restritas.
- Nódulos na gestação decorrem apenas de alterações hormonais: mito. Nódulos persistentes, endurecidos, em crescimento ou associados a mudanças na pele e no mamilo exigem investigação médica imediata.
- O diagnóstico na gravidez exige a interrupção da gestação: mito. Cirurgias podem ocorrer durante a gravidez e alguns esquemas quimioterápicos são viáveis após o primeiro trimestre, adaptando as condutas para proteger a mãe e o bebê.
- Participar de pesquisa clínica significa ser cobaia: mito. Estudos clínicos seguem protocolos rigorosos avaliados por comitês de ética, com consentimento voluntário, e possibilitam acesso a estratégias inovadoras.
- O tratamento visa apenas aumentar o tempo de vida: mito. As condutas buscam também o controle de sintomas, a preservação da funcionalidade, o suporte emocional e a manutenção da rotina e das relações pessoais.