A natureza implora para que as mulheres voltem à essência feminina, por Ana Lisboa

27 de fevereiro, 2025 Folha de S. Paulo Por Ana Lisboa

Por que a busca desenfreada por poder e produtividade nos afastou de algo tão importante?

Desde os primórdios, a humanidade sempre foi movida pelo impulso de conquista. Exploramos terras, atravessamos oceanos, dominamos tecnologias e, hoje, projetamos nossa ambição para além da Terra. A sociedade mede sucesso pelo tamanho dos impérios corporativos, pela velocidade dos sistemas e pela ascensão profissional. Mas enquanto o masculino —expansivo, competitivo e lógico— ditava as regras do jogo, onde ficou o feminino?

A exaustão feminina grita nas entrelinhas da rotina. Quem nunca explodiu diante do caos de uma casa bagunçada, crianças exigindo atenção, pilhas de trabalho acumulado e um mundo que cobra cada vez mais? A sobrecarga, travestida de “capacidade de multitarefa”, levou muitas mulheres ao limite. E se esse mesmo esgotamento não fosse apenas um fenômeno individual, mas um reflexo de algo maior?

A natureza, esse organismo vivo que nos sustenta, parece estar à beira do colapso. E, talvez, ela esteja sentindo o que tantas mulheres sentem: cansaço, frustração, invisibilidade. O desmatamento, a poluição, o consumo descontrolado são o equivalente à desvalorização do feminino na sociedade. Durante séculos, exaltamos a razão, a produtividade e o crescimento desenfreado, enquanto reprimimos o sentir, o acolher e o intuir.

Mas algo está mudando. Em meio ao caos, cresce uma fome silenciosa por significado. A busca pelo belo, pela cultura, pelos rituais e pela espiritualidade não é moda passageira, mas um sintoma da necessidade de equilíbrio. O silêncio se tornou o novo luxo. O natural, um refúgio. O feminino, uma força que ressurge.

Isso não significa negar o masculino —sua objetividade, estratégia e força são fundamentais. Mas sem a sensibilidade, a objetividade vira frieza. Sem presença, o foco se torna vazio. Sem conexão, o crescimento desaba. O que está em jogo não é abandonar o que foi construído, mas integrar. Resgatar o feminino não é sinônimo de fragilidade, mas de potência. É recuperar a arte, a fé e a criatividade como elementos essenciais para um mundo que não quer apenas avançar, mas sobreviver.

O retorno ao feminino também se traduz na revalorização do corpo e da saúde mental. Durante anos, o culto à performance e à produtividade acelerada deixou marcas profundas na psique feminina. A busca pelo equilíbrio envolve respeitar os próprios ciclos, a necessidade de pausa e a conexão com os ritmos naturais do corpo e da mente. O feminino não é sinônimo de fraqueza, mas de adaptação, resiliência e regeneração. O descanso, muitas vezes visto como preguiça, é na verdade um ato revolucionário de autocuidado e resistência a um sistema que exige exaustão constante.

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