Mulheres negras vão às ruas no dia 20/11 para dizer ‘fora Temer e nenhum direito a menos’ – São Paulo/SP, 20/11/2016

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O movimento negro brasileiro está organizando manifestações em todo o Brasil no dia 20 de novembro para celebrar o Dia da Consciência Negra. Mais uma vez as mulheres negras que ocuparam Brasília em 18 de novembro de 2015 e diversas capitais brasileiras no 25 de julho deste ano caminharão junto com nossos irmãos para denunciar o golpe racista e misógino que sofremos, além de toda retirada de direitos que temos sofrido de forma mais aguda no último período. Estaremos nas ruas, novamente, pelo “Fora Temer, nenhum direito a menos!”.

(Geledés, 08/11/2016 – acesse no site de origem)

Em São Paulo, organizamos um bloco de mulheres negras junto a marcha que sairá do vão livre do MASP com concentração marcada para as 11 horas. No link http://migre.me/vlGmn é possível acessar a página do Facebook da marcha de São Paulo.

Já no 25 de julho deste ano denunciávamos o caráter racistas e misógino do golpe parlamentar que colocou Michel Temer na presidência e os retrocessos às conquistas democráticas e também uma ameaça aos direitos conquistados por nós mulheres negras através de muita luta.

As mulheres negras articuladas e que vem acompanhando a construção da XIII Marcha Da Consciência Negra em São Paulo ressaltam: “A violência nas sociedades afetadas pelo racismo patriarcal heteronormativo atinge de maneira desproporcional as populações negras, com forte marca do sexismo e das fobias LGBT. Apesar do empenho nas últimas décadas em ações de diminuição das desigualdades sociais e de enfrentamento da violência contra a mulher, essas não impediram o aumento de 54.2% em assassinatos de mulheres negras entre 2003-2013, o aumento do encarceramento feminino e a continuidade das violações de direitos das mulheres negras, em conflito armado e guerras civis não declaradas.”

Mais adiante, o texto explicita os eixos da manifestação que são os seguintes:

Em defesa da democracia e contra o Golpe: Fora Temer! E contra a PEC do Fim do Mundo, nenhum direito a menos!
Pela luta intransigente contra o racismo e a discriminação, independentemente da raça,etnia e/ou nacionalidade;
Pelo fim do machismo, do racismo, da lesbofobia, da transfobia, da intolerância religiosa, da xenofobia, e do preconceito e discriminação de qualquer natureza;
Pelo fim da pobreza;
Contra a retirada de direitos e a precarização ainda maior do trabalho, por mais emprego, melhores salários e igualdade salarial para as mulheres negras;
Contra a exploração sexual das crianças e adolescentes;
Contra todas as formas de violência, racista e machista e LGBTfóbica: física, verbal e psicológica;
Combate ao genocídio da juventude negra, contra a redução da maioridade penal e a violência policial e pela implantação de políticas públicas para jovens negras e negros, em especial dos bairros periféricos;
Contra a intolerância religiosa, por respeito e preservação das religiões de matrizes africanas, pela defesa da laicidade do Estado e a liberdade de culto;
Pela preservação da biodiversidade e do meio-ambiente, em defesa e reconhecimento da titulação de terras das Quilombolas, Índigenas, das Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas;
Pela implementação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) alterada pela Lei 10.639/03 e 11.645/08  (obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” no ensino fundamental e médio);
Pelo direito à educação pública de qualidade e acesso e permanência na universidade;
Pelo direito à saúde e direitos sexuais e reprodutivos (aborto legal, seguro e fim da violência obstétrica);
Em defesa da moradia digna, do direito à cidade e à urbanidade;
Pela valorização da trabalhadora doméstica (Lei Complementar 150/2015);
Pelo empoderamento das mulheres negras, indígenas e afro indígenas, criação de políticas de ação afirmativa com corte racial e de gênero, implantação de medidas para ampliação da presença de mulheres negras, indígenas, afro indígenas e imigrantes nos espaços de poder;
Contra o higienismo social e a gentrificação;
Pelo reconhecimento e preservação dos saberes materiais e imateriais da população de qualquer raça, etnia nacional ou estrangeira no Brasil (cultura, tecnologia, arquitetura, culinária, saúde etc.);
Por uma política de Comunicação de enfrentamento ao racismo, com a consolidação de uma mídia igualitária, democrática, não racista e não sexista.
Serviço:

Bloco das mulheres negras na XIII Marcha Da Consciência Negra de São Paulo

Data: 20 de novembro

Concentração: A partir das 11h – Leia a matéria completa em: http://scl.io/NKnXbl4N#gs.null

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