Até agora, mulheres conquistaram a maioria das vagas do Brasil em Tóquio-2020

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Bom desempenho nos esportes coletivos levou a esta posição de destaque das brasileiras

(O Globo, 12/08/2019 – acesse no site de origem)

Na cerimônia de abertura do Pande Lima, Martina Grael Kahena Kunze. Na de encerramento,Rafaela Silva. Coube às mulheres a missão de carregar a bandeira do Brasil. Uma escolha que acompanha o momento pelo qual o esporte passa no país. O evento na capital peruana foi marcado pelo aumento da representatividade feminina. E, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, tudo indica que vá ser ainda maior. Até agora, elas conquistaram a maioria das vagas para 2020.

O Brasil possui, até agora, 104 vagas para os Jogos. Destas, 60 são femininas, o que corresponde a 57,7%. Uma maioria que se deve a um melhor desempenho das mulheres em relação aos homens nos esportes coletivos. As brasileiras já se classificaram no futebol (18), no handebol (14), no rúbgi 7 (12) e no vôlei (12). Além disso, Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Maria Iêda Guimarães (pentatlo moderno) e a dupla Martina e Kahena (vela) estão garantidas em Tóquio.

Nos Jogos de Lima, encerrados neste domingo, avanços neste quesito já haviam sido registrados. No início das competições, a delegação brasileira era formada por 486 atletas. Destes, havia 250 homens (51,5%) e 236 mulheres (48,5%). A diferença nunca foi tão pequena na história da delegação braslieira em pan-americanos. E isso não é por acaso.

— O mundo hoje está assim. Os países estão fazendo um investimento na performance feminina por entenderem que é um caminho concreto na conquista de medalhas. Também estamos com esse olhar. Nos causa maior interesse quando surge um valor do gênero feminino. Porque, em determinadas provas, existe uma possibilidade de crescimento mais rápido do que no masculino. Então, faz parte deste processo direcionar recursos a partir do momento que estas atletas surgem — afirma o diretor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil Jorge Bichara.

Em números gerais, as mulheres nunca conquistaram tantas medalhas em um Pan quanto em Lima. Foram 66 ao todo (19 ouros, 10 pratas e 37 bronzes). A porcentagem em relação ao total, no entanto, diminuiu comparação com Toronto. Em 2019, as mulheres foram responsáveis por 38,6% dos pódios. Há quatro anos, esta fatia foi de 44,7%. O que mostra um caminho ainda a ser traçado.

Pedido por visibilidade e apoio

Entre os novos valores femininos que chamaram a atenção do COB no Pan estão Milena Titoneli, ouro no Taekwondo (67kg), Vitória Rosa, bronze nos 100m rasos e prata nos 200m do atletismo, e Larissa Pimenta, ouro no judô (52kg). Todas elas brigam por uma vaga em Tóquio-2020.

Após conquista da medalha de bronze no revezamento 4×100 medley feminino da natação, as brasileiras falaram sobre o tema. Numa modalidade em que os resultados dos homens foram mais repercutidos, elas lembraram que, mesmo com menos visibilidade e apoio financeiro, também estão batalhando por seus objetivos.

— Eu acho que isso (o desempenho das mulheres no Pan) só mostra o quanto nós somos poderosas e podemos ir além. Somos pouco valorizadas no esporte. De um modo geral, a atenção que a gente tem é mínima. Que sirva para mostrar que estamos aqui, brigando com muito menos condição do que muito homem que briga por medalha. A gente está de cabeça erguida, indo para luta do mesmo jeito. Mas com menos visibilidade, com menos patrocínio, com menos tudo. Mas estamos aqui. Sempre — afirmou Giovanna Tomanik, que também faturou um bronze nos 100m borboleta.

Por Rafael Oliveira

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