EUA vão iniciar teste clínico de vacina de DNA contra a zika

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(Folha de S. Paulo, 03/08/2016) Os EUA deixaram o Brasil pra trás e vão ser os primeiros a testar em humanos uma vacina contra a zika. Serão recrutados 80 voluntários saudáveis, entre 18 e 35 anos para a pesquisa.

A expectativa é que os resultados sejam divulgados até o final de 2016 e, caso sejam positivos, que os testes continuem em grupos maiores de voluntários no início de 2017, em países onde a zika é endêmica. Os voluntários vão ser divididos em quatro grupos, que vão receber a vacina duas ou três vezes, em diferentes arranjos temporais.

O estudo ainda está na fase um, ou seja, o objetivo principal é a avaliação da segurança e de possíveis efeitos colaterais da vacina. A duração total é de 44 semanas de acompanhamento (o que inclui consultas médicas e exames de sangue e de urina).

Entre os efeitos colaterais, de repente, pode aparecer algo além de reações locais e alergias, pois trata-se de uma nova modalidade de vacina baseada em DNA. Ou seja, em vez de pedaços de vírus ou vírus “moribundos” (atenuados), como em algumas vacinas convencionais, o que é injetado é um pedaço de material genético que contém informações para a produção das proteínas virais pelo próprio corpo humano.

Não há nenhuma vacina do tipo que seja comercializada, mas há testes em andamento, como os de uma contra a dengue criada pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, da Fiocruz.

Uma possível vantagem desse tipo de imunização é um maior recrutamento de células B e T, responsáveis pela defesa do organismo, o que refletiria em uma rápida neutralização e anulação de uma infecção viral futura.

Para tomar a vacina do Niaid (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, na sigla em inglês), os voluntários não precisarão encarar uma agulhada no braço. O dispositivo faz uma inoculação por pressão, forçando as moléculas de DNA para dentro do braço.

Bactéria

Esse DNA é circular e recebe o nome de plasmídio. Na natureza, ele é usado por bactérias para a troca de genes entre indivíduos, como aqueles de resistência a antibióticos.

Esse tipo de abordagem também já foi testado como uma forma de realizar terapia gênica (inserir uma versão correta de um gene defeituoso) e não elicitou nenhum efeito adverso grave, segundo o Niaid.

O instituto é o mesmo que iniciou os testes da vacina da dengue hoje testada pelo Instituo Butantan e também patrocina, além do estudo dessa vacina própria, o desenvolvimento de outras.

Acesso no site de origem: EUA vão iniciar teste clínico de vacina de DNA contra a zika (Folha de S. Paulo, 03/08/2016)

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