Impacto cultural foi o mais positivo, diz Sabatella sobre caso José Mayer

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Letícia Sabatella, uma de muitas atrizes que apoiaram a figurinista Susslem Tonani em sua denúncia de assédio sexual contra José Mayer, acredita que o fato de Tonani não tê-lo incriminado não põe a perder o que foi conquistado com o caso.

(Folha de S.Paulo, 28/04/2017 – Acesse o site de origem)

Após ser convidada a depor à Polícia Civil, a figurinista decidiu não levar adiante o inquérito contra o ator.

“O que quer que venha a acontecer, já foi dado um bom exemplo”, disse a atriz.

Para ela, o mais importante foi o impacto cultural. “O primeiro passo, a denúncia, foi extremamente importante, e o apoio das funcionárias e elenco foi eficiente. Tanto a Globo se posicionou como o próprio José Mayer se desculpou. As coisas agora vão ser diferentes”, disse ela.

Mayer, que a princípio negara as acusações, acabou divulgando uma carta na qual afirma que errou, pede desculpas e diz que passa por um processo de mudança.

A TV Globo o suspendeu de produções futuras por tempo indeterminado.

Para Sabatella, levar o caso à Justiça é uma escolha da vítima, que terá que se dispor a enfrentar um processo que pode ser desgastante.

“É um segundo passo, que talvez não seja o mais importante e com certeza não nega o fato nem põe a perder as ações do movimento”, disse a atriz.

Quando o caso veio a público, funcionárias da Globo e o elenco fizeram um protesto em apoio à figurinista –foram trabalhar usando camisetas com a frase “Mexeu com uma, mexeu com todas”. A manifestação também se espalhou em redes sociais. Segundo pessoas que trabalham na emissora, foi criado um grupo informal de apoio a mulheres que venham a sofrer assédio no futuro.

Sabatella disse à Folha que não pode falar por todas as colegas pois o assunto ainda não havia sido discutido entre elas, mas acredita que Tonani continuará sendo apoiada por todas.

“O que houve de mais significativo foi a sororidade que se criou. Gerou união. Ir à Justiça ou não não muda o que já foi conquistado.”

Para a presidente da Comissão OAB Mulher, Marisa Gaudio, a decisão de Tonani de não levar adiante o inquérito contra o ator é negativa para o movimento, mas é compreensível.

“Acho ruim porque quanto mais falarmos do assunto, mais a gente informa as mulheres sobre seus direitos. Além disso, o caso dela acaba não entrando nas estatísticas, que já são subestimadas”, diz a advogada.

As estimativas de subnotificação de violência sexual variam, mas se calcula que meros 10% a 35% dos casos terminem de fato reportados.

“No entanto, não se pode julgar a decisão individual da mulher. É muito comum mulheres não denunciarem, em geral, por medo.”

Procurada, a TV Globo disse que não vai se posicionar. A Defensoria Pública do Rio, que acompanha o caso, disse que não vai se manifestar porque o caso está em sigilo.

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