23/11/2011 – Menos filhos, mais empoderamento para as mulheres

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(CLAM) Números do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram uma tendência de diminuição da gravidez na adolescência e revelam que a mulheres têm preferido ter filhos depois dos 30 anos. “Há dez anos, 18,8% dos nascimentos ocorriam na faixa dos 15 aos 19 anos e 29,3% entre 20 e 24 anos. Essas proporções caíram para 17,7% e 27%, respectivamente. Os nascimentos na faixa de mais de 30 anos, que eram 27,6% do total, subiram para 31,3%.” A reportagem do CLAM – Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos procurou o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), para comentar o significado desses números.   

Na avaliação do demógrafo, o padrão de fecundidade do Censo 2010 indica que serão necessários ajustes nas políticas de contracepção. “Com a tendência de as mulheres passarem a ter filhos depois dos 30 anos, a distância entre as gestações e a menopausa se encurta. Dessa forma, quando a mulher der por encerrada a geração de filhos – em geral, elas buscam ter em média dois filhos -, os métodos contraceptivos requeridos poderão ser reversíveis, como a tabelinha. É um processo diferente do que ocorre quando a concentração das gestações se dá entre mulheres mais jovens e geralmente pobres. Ao terem sucessivos filhos, elas atingem ainda novas o tamanho da família desejada e, assim, decidem ‘fechar a fábrica’. O método preferencial é a esterilização via laqueadura. É o que chamamos de controle por terminação. O Censo 2010, portanto, é um importante norteador de como vamos elaborar, ajustar e executar políticas em inúmeras áreas, como a saúde”, analisa José Eustáquio. 

Segundo o especialista, as mulheres na faixa etária dos 30 anos têm preferido adiar a gravidez para investir na formação escolar e acadêmica e na entrada no mercado de trabalho. “É uma situação que chamamos de 2ª transição demográfica, na qual o padrão de fecundidade se dá depois de 30 anos e em novos arranjos familiares. Esse processo de empoderamento envolve outras questões. A formação educacional das mulheres é maior que a dos homens. Em todos os níveis educacionais (primário, ensino médio, graduação e pós-graduação), elas ultrapassaram os homens. E apesar de os homens serem maioria da População Economicamente Ativa (PEA), a maior parte desta população com 11 ou mais anos de estudo é ocupada por mulheres. Elas são a elite educacional da PEA”, afirma o demógrafo.

Os dados do IBGE também apontam que a taxa de fecundidade caiu abaixo do nível de reposição populacional. Em média, as mulheres têm 1,86 filhos. Em 2000, a taxa era 2,35, caindo para 2,1 em 2005, nível mínimo para a reposição populacional. “Estamos abaixo desse nível, no entanto, a população brasileira ainda é jovem e, por isso, não diminuiu. A tendência é de um envelhecimento nas próximas décadas”, explica José Eustáquio.

E pela primeira vez o Censo procurou contabilizar as relações entre pessoas do mesmo sexo. Foram registrados 60 mil casais. “A iniciativa do Censo é relevante, pois sinaliza o reconhecimento desse tipo de união. A questão do registro dos casais gays, no entanto, merece uma ressalva. A coleta desses dados resultou de um questionário no qual se procurava saber se havia cônjuges do mesmo sexo habitando o domicílio. Há um evidente risco de sub-notificação, pois o entrevistado pode não declarar que vive com uma pessoa do mesmo sexo ou ainda estar em um relacionamento homoafetivo no qual as partes vivem em domicílios separados”, salienta o demógrafo.

Leia a matéria completa: Menos filhos, maior empoderamento (CLAM – 23/11/2011)

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