Brasil: 827 mil têm AIDS, mas mortalidade caiu 42% desde 1995

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Ministério da Saúde apresentou dados atualizados para indicadores da doença

(O Globo, 30/11/2016 – acesse no site de origem)

Na véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde divulgou números inéditos sobre a doença no Brasil. Como adiantou o colunista Ancelmo Gois, a pasta estima que há hoje 827 mil pessoas infectadas com o vírus HIV no Brasil — dentre os quais 112 mil não conhecem o seu diagnóstico, 260 mil sabem do seu estado mas não iniciaram o tratamento, e outros 455 mil estão em tratamento.

Leia mais:
Novas políticas contra a Aids, por Davis Uip (Folha de S.Paulo, 01/12/2016)
Ban quer determinação do mundo para erradicar Aids até 2030 (Rádio ONU, 01/12/2016)
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Como é ser uma pessoa soropositiva em um mundo preconceituoso (HuffPost Brasil, 30/11/2016)

Após pedir um minuto de silêncio em memória às vítimas da queda do avião que conduzia a equipe de futebol do Chapecó e jornalistas, a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das DST/AIDS e Hepatites Virais, Adele Schwartz Benzaken, apontou uma aproximação do Brasil às metas para 2020 determinadas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

Das 455 mil pessoas com Aids em tratamento no país, 410 mil têm carga viral indetectável. O número bate a meta da UNAIDS para 2020 de que 90% das pessoas em tratamento apresentem carga viral indetectável, visando o fim da epidemia em 2030. As 410 mil pessoas já representam 90,1%.

— Pessoas com esta redução da carga viral têm melhor qualidade de vida e a transmissão é quase anulada. O principal objetivo do Ministério da Saúde hoje é cobrir o gap das 372 mil pessoas com Aids que ainda não estão em tratamento — apontou Adele.

O ministro Ricardo Barros comemorou novas parcerias em campanhas de prevenção à Aids. A pasta lançou, com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a campanha “Nós podemos construir um futuro sem Aids”, que vai mobilizar 11 mil paróquias pelo país em campanhas de prevenção e a testagem do HIV. Fafá de Belém protagoniza a ação. Além disso, o ministério organiza para esta quinta-feira um talk show com youtubers sobre a doença.

— A estimativa é que 112 mil pessoas não saibam que portam o vírus. Elas podem ter o vírus e não ter sintoma nenhum, e podem estar transmitindo o vírus involuntariamente. Então é muito importante a detecção. A CNBB vai ajudar a convencer as pessoas a fazer a testagem, que caso positivo, dará total acesso ao tratamento — apontou o ministro.

Veja abaixo os principais pontos apresentados:

A transmissão do HIV de mãe para filho caiu 36% de 2010 a 2015: chamada de transmissão vertical, a contaminação de mãe para filho teve queda, segundo a pasta, com a ampliação da testagem no pré-natal e no reforço à oferta de medicamentos para gestantes. De 2010 a 2015, a taxa de detecção de HIV em gestantes para cada 1000 nascidos vivos de subiu de 2,1 para 2,7; já a detecção em menores de cinco anos para cada 100 mil habitantes caiu de 3,9 para 2,5. Adele Schwartz lembrou que o aumento na detecção em mães leva a uma diminuição na infecção dos bebês. Além disso, o ministério anunciou, para o ano que vem, a certificação de municípios que eliminarem este tipo de transmissão.

A mortalidade pela doença diminuiu 42% desde 1995: com a ampliação do diagnóstico e do tratamento, além da melhoria nas terapias antivirais, o número de óbitos para cada 100 mil habitantes foi de 9,7 em 1995, caindo para 5,6 em 2015.

Entre os jovens, a razão entre infecção de homens e mulheres aumenta: enquanto, no país, a cada uma mulher vivendo com AIDS, existem dois homens infectados, entre os jovens de 20 a 24 anos, a razão se amplia para um para três.

Os jovens de 18 a 24 anos ainda são o grupo mais vulnerável no tratamento: entre os jovens nesta faixa etária, apenas 57% estão em tratamento. “Tenho algumas hipóteses para tantos jovens não estarem em tratamento. O serviço de saúde não está preparado para uma atenção específica para os jovens. Talvez nos últimos anos, tenhamos perdido a forma de nos comunicar com eles. Por isso estamos buscando iniciativas com youtubers e aplicativos, por exemplo. Outra hipótese é a da negação psicológica da condição sorológica”, apontou Adele Schwartz. Por outro lado, as pessoas acima de 50 anos são as que mais se cuidam.

552 milhões de camisinhas: este é o número de preservativos masculinos distribuídos pelo governo federal em 2015; preservativos femininos somaram 22 milhões. A chamada “prevenção combinada”, com testagem regular de HIV, testagem pré-natal, tratamentos pré e pós exposição, distribuição de preservativos, redução de danos, entre outros, foi apresentada como um caminho acertado na atuação brasileira no combate à Aids. Ricardo Barros lembrou que o antiviral dolutegravir começará a ser distribuído a 100 mil pacientes em janeiro, e um novo tratamento pré-exposição será avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em fevereiro.

Profissionais do sexo, travestis e homens em relações sexuais com homens: Os grupos se apresentam como os mais vulneráveis à infecção pelo vírus. “Todos os guidelines internacionais mostram que é preciso fazer ações para populações-chave”, apontou Adele. Para os homens que têm relações sexuais com homens, a diretora afirmou que o ministério está estudando ações publicitárias em aplicativos de relacionamento como o Tinder.

Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro: Os estados apresentam as maiores taxas na combinação de indicadores do HIV, como infecções e mortalidade. São por isso chamados de “hotspots geográficos”.

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