Brasileiras relatam drama para realizar abortos durante a pandemia de coronavírus

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O Brasil só autoriza o aborto em casos de violências sexuais, anencefalia do feto ou risco para a vida da mãe. Para conseguir interromper a gravidez, muitas mulheres viajam para outros países, onde a prática é legalizada. Com a pandemia de coronavírus e o fechamento das fronteiras, a situação ficou bem mais difícil.

(RFI | 15/06/2020 | Por Sarah Cozzolino, correspondente da RFI no Brasil)

Mariana* tem direito de abortar legalmente no Brasil. Ela engravidou depois de ter sido estuprada, logo antes da pandemia. Mas no Pará, onde ela mora, os hospitais já estavam em colapso por causa do coronavírus.

Um levantamento feito pela Ong Artigo 19, em parceria com a Revista AzMina e a Gênero e Número, para identificar o serviço de aborto legal no Sistema Único de Saúde (SUS) durante a pandemia, aponta que só metade desses serviços estão funcionando do país.

“O meu vizinho morreu por falta de leito. As pessoas que estão com Covid não têm atendimento… Então fiquei muito preocupada”, ela lembra. Mariana conta que nessa situação crítica, ela pensou em se matar. Ela mora numa pequena cidade, no interior do Pará. “Um lugar com muito machismo e muito preconceito, Não falei pra ninguém que queria abortar, nem pra minha irmã”, explica.

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