Deputadas argentinas tentam votar lei sobre aborto no Dia da Mulher

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Presidente Mauricio Macri afirmou que deputados do seu partido devem votar de acordo com suas consciências

(R7, 23/02/2018 – acesse no site de origem)

Deputadas de diversas regiões argentinas estão se mobilizando para votar a realização de aborto até a 14ª semana no dia 8 de março.

As congressistas Mayra Mendoza, Mónica Macha e Lucila Masin assinaram o documento solicitando uma sessão especial no Dia Internacional da Mulher.

O governo argentino já havia deixado o caminho livre para que o assunto fosse discutido no Parlamento sem que precisasse passar por comissões especiais.

Leia mais: Macri libera parlamentares em votação sobre aborto (Jornal do Brasil, 23/02/2018)

Porém, os líderes da coalizão Cambiemos (Mudemos, em tradução livre) já afirmaram que não participariam da sessão pois a decisão precisa ser tomada “passo a passo”, segundo o jornal Clarín.

O presidente Maurício Macri, que foi eleito por essa coalizão, afirmou que os deputados devem votar de acordo com suas consciências. A afirmação de Macri representa a cisão que o tema tem causado no país.

Aborto divide partidos

A presença dos copartidários de Macri é fundamental para que se consiga preencher o quórum mínimo de 129 deputados para iniciar a sessão especial.

Caso as deputadas que estão liderando esse projeto não consigam reunir os parlamentares necessários para a votação do tema, ele só poderá voltar a ser debatido no ano que vem.

O debate sobre a legalização do aborto voltou a ganhar no espaço na Argentina após uma série de protestos que aconteceu na última segunda-feira (19). As manifestantes exigiam que o serviço prestado para as mulheres fosse gratuito e seguro.

O presidente da Câmara, Emílio Monzó é um dos deputados do Cambiemos que já manifestou ser contrário à legalização do aborto. Em entrevista ao Clarín, no entanto, ele admitiu que é “impossível” não debater o tema.

Se o projeto for aprovado pela Câmara dos Deputados, a tramitação segue para o Senado, onde o tema deve enfrentar maior oposição.
Uma das grandes questões será como a ex-presidente e agora senadora Cristina Kischner votaria nesse cenário. Kischner nunca deu abertura para que o tema fosse discutido enquanto ela ocupou a Casa Rosada.

Os partidos seguem divididos em relação ao tema. O único que já informou que votará pela legalização do aborto é a Frente de Esquerda.

Beatriz Sanz

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