Assistência para bebês com microcefalia é ampliada em Pernambuco

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(JC On Line, 21/06/2016) Ouricuri, no Sertão do Estado, e Palmares, na Mata Sul, vão ganhar centros especializados para estimular crianças com a malformação.

As famílias dos bebês com microcefalia que moram no interior
de Pernambuco têm deixado de percorrer quilômetros e mais
quilômetros nas rodovias para conseguir atendimento focado
nas atividades de reabilitação que encorajam o desenvolvimento
de habilidades motoras e cognitivas das crianças. Com a
implantação de 24 unidades destinadas a essa assistência, a
distância percorrida do domicílio para o local de atendimento
passou de 420 quilômetros (em outubro de 2015) para uma
média de 60 quilômetros. Até julho, com a implantação de mais
duas unidades no interior, a expectativa da Secretaria Estadual
de Saúde (SES) é de encurtar ainda mais essa distância, para
facilitar a ida dos bebês aos serviços que realizam as terapias.

Em média, mães agora percorrem 60 km para levar filhos às sessões de terapias / Diego Nigro/JC Imagem

Em média, mães agora percorrem 60 km para levar filhos às sessões de terapias Diego Nigro/JC Imagem

“Em Ouricuri, no Sertão, a equipe dedicada à reabilitação já está
formada e capacitada. O espaço para as atividades está sendo
otimizado e serão adquiridos equipamentos para se fazer a
estimulação dos bebês”, informa a secretária-executiva de
Atenção à Saúde da SES, Cristina Mota. No município, até o
começo de julho, o serviço deve estar em funcionamento no
Hospital Regional Fernando Bezerra. “Já em Palmares, a previsão
é de que a assistência seja oferecida até agosto.” Dessa maneira,
a SES 摤䘲ca com o compromisso de implementar o atendimento
para essas crianças também em Goiana, na Zona da Mata Norte.
Por enquanto, elas permanecem vinculadas aos serviços
oferecidos pela 1ª Regional de Saúde, da qual fazem parte
outros 19 municípios – a maioria deles no Grande Recife.
A presidente da União de Mães de Anjos (entidade que presta
assistência para mães de bebês com microcefalia), Germana
Soares, reconhece que a ampliação da rede de atendimento e
reabilitação tem ajudado as famílias a se deslocarem para os
serviços. “Em Caruaru, há dois locais onde as crianças fazem
terapias e estão sendo bem atendidas. Além disso, muitas mães
deixaram de vir com os bebês frequentemente de Serra Talhada
e de Moreilândia (ambos no Sertão) para ter atendimento no
Recife. Agora, estão indo para Arcoverde (na mesma região)”, diz
Germana. Ela acrescenta que os bebês que moram em Ouricuri,
onde ainda não há serviço de reabilitação, fazem atividades de
estimulação em Salgueiro, também no Sertão. “As unidades do
interior realmente ajudam a desafogar os serviços da capital e
evitam que as mães venham de longe e enfrentem horas de
viagem para chegar ao Recife para que os bebês passem por
uma sessão de 摤䘲sioterapia de 30 minutos e outra de terapia
ocupacional de 40 minutos. É importante o governo fazer essa
descentralização para oferecer melhor qualidade de vida para as
famílias”, acrescenta Germana, mãe de Guilherme, 7 meses, que
nasceu com microcefalia e síndrome congênita associada ao zika
vírus.
PROTOCOLO
Atualmente, Pernambuco já registra 70 bebês sem microcefalia
e que apresentam alterações em exames de imagem (como a
tomogra摤䘲a) que sugerem zika congênita. Eles representam
quase 20% do total de casos con摤䘲rmados da malformação (366).
“São bebês com alteração neurológica e que estão sendo
acompanhados na rede de assistência”, frisa Cristina Mota. Para
que essas crianças possam receber monitoramento adequado, a
SES deve divulgar, em 15 dias, um novo protocolo de vigilância
de casos que deixa de limitar a visão para a microcefalia. Serão
considerados como casos suspeitos de zika congênita, por
exemplo, bebês que nascem com alguma malformação ou
alteração congênita do sistema nervoso central cuja mãe resida
em áreas com epidemia de zika.

Cinthia Leite

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