Casos de zika caem, mas golfista desiste dos Jogos Olímpicos

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(O Globo, 29/06/2016) Este mês, número de registros chega a 186, contra 7.753 em janeiro.

Faltando 37 dias para a abertura oficial da Olimpíada, mais um atleta resolveu desistir da luta por uma medalha, alegando medo do vírus zika. Desta vez, foi o golfista australiano Jason Day, líder do ranking mundial do esporte, que na terça-feira declarou a uma agência de notícias que teme vir ao Rio com a família em agosto. As estatísticas da doença, no entanto, vão de encontro à decisão do australiano. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, este mês, até o dia 18, apenas 186 pessoas contraíram o vírus, enquanto em janeiro (período de pico) esse número chegou a 7.753. Em relação à dengue, o número despencou de 8.744 em abril (mês de pico) para 426 em junho (até a segunda semana).

Jason Day é o sexto atleta que alega medo do vírus zika para não vir ao Rio – Darron Cummings / AP 

A queda já era prevista, segundo especialistas, por causa da chegada do inverno. A boa notícia é que, até os Jogos, esse número deve cair ainda mais.

— A preocupação é desnecessária e até certo ponto bem exagerada. A tendência é ter ainda menos casos em agosto. Não vejo a zika como um problema. Temos muitas coisas para nos preocuparmos, mas a proliferação do mosquito não é uma delas. Eu não acredito que teremos, por exemplo, um atleta infectado durante os Jogos. A gente vem falando isso desde o início do ano — disse Alberto Chebabo, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro.

Antes de Jason, outros quatro golfistas já tinham anunciado que não viriam ao Rio por causa do vírus. No início deste mês, foi a vez de o ciclista americano Tejay van Garderen pedir à Confederação Americana de Ciclismo que retirasse seu nome da lista de convocados, alegando o mesmo motivo.

O diretor de Comunicações do Comitê Organizador Rio 2016, Mario Andrada, lamentou a ausência de mais um esportista.

— É um exagero. Hoje, a chance de se contrair zika em Miami é muito maior do que no Rio. Eu lamento a decisão (do golfista Jason Day), mas isso não mudará o brilho da Olimpíada — afirmou.

Mario disse que o Comitê Organizador entrou em contato com todas as federações esportivas internacionais, inclusive a de golfe, para conversar sobre o tema:

— Informamos sobre a baixa incidência da doença. É uma ótima desculpa alegar o medo do vírus, mas o risco é muito baixo.

OMS DIZ QUE O RISCO É BAIXO

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chicungunha – Luis Robayo / AFP

A confiança da organização é sustentada por parte da comunidade científica brasileira. No início deste mês, um estudo elaborado por integrantes do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz e da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV) afirmou que, entre agosto e setembro, a incidência de doenças causadas pela picada do mosquito Aedes aegypti varia entre um e sete registros para cada cem mil habitantes. A pesquisa foi usada para rebater a ideia de alterar a data dos Jogos Olímpicos, conforme propuseram cientistas internacionais em carta aberta à Organização Mundial da Saúde (OMS). Com base nas estatísticas, pesquisadores estimam que, entre os 350 mil e 500 mil turistas esperados para a Olimpíada do Rio, devem ocorrer quatro casos de dengue com sintomas, com a margem de erro variando entre um e 36.

Há duas semanas, o Comitê de Emergência Sobre o Vírus Zika, da Organização Mundial da Saúde, afirmou que o risco de transmissão da doença durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é “muito baixo”.

Para o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o Rio está bem preparado para receber os turistas durante a Olimpíada:

— A gente tem um série histórica de mais de 40 anos sobre a infestação de mosquito nesse período. A baixa incidência vai permanecer. Vários pesquisadores atestam isso. Os atletas que consultarem suas delegações vão ficar tranquilos quanto a esse assunto. Eu respeito a decisão particular de cada atleta, mas o risco de se contrair doenças ligadas ao Aedes aegypti é muito baixo.

Por Renan França – O Globo

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