Contágio por zika também no transplante de órgãos

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Descoberta foi publicada em artigo no American Journal of Transplantation

(Folha de Pernambuco, 21/09/2016 – Acesse no site de origem)

O contágio por zika através de transplantes de órgão foi confirmado pela primeira vez no Brasil. A descoberta de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) foi publicada em artigo no American Journal of Transplantation, e descreveu as manifestações do vírus em quatro pacientes que apresentaram suspeita de infecção viral após receber um órgão novo. O estudo também foi coordenado por Maurício Lacerda Nogueira, que também faz parte da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika).

Em dois pacientes que receberam transplantes renal e outros dois submetidos a transplante hepático, o diagnóstico de zika foi confirmado por testes moleculares. “Esses quatro pacientes transplantados não apresentaram um quadro característico esperado para zika: manchas vermelhas na pele, coceira e conjuntivite. Na verdade, as manifestações clínicas eram difíceis de serem distinguidas daquelas observadas em pessoas com dengue. Apresentaram redução no nível das plaquetas, por exemplo”, contou Nogueira.

Todos precisaram ser internados e apresentaram quadros que se prolongaram em decorrência de complicações como infecção bacteriana, mas sobreviveram. Segundo o pesquisador, não houve manifestações mais graves, como a Síndrome de Guillain-Barré. “Mas à medida que os casos forem aumentando, esses fenômenos devem ficar mais fáceis de serem detectados”, disse.

Em Pernambuco, por medida de segurança, a Central de Transplantes do Estado começou a adotar desde o início deste ano restrições por suspeita de arboviroses do doador. Tornou-se inapto o doador com sinais de arboviroses até 15 dias antes do procedimento, seja ele paciente vivo ou cadáver.

O prazo vale para coração, rim, fígado e pâncreas. Para as córneas, o tempo de proibição é de 30 dias. O impacto dessas medidas representou uma queda de 20% nos transplantes de janeiro a março, com 12 contraindicações para doação.

Proteína
Uma proteína do leite já conhecida por proteger o organismo humano contra micróbios também pode ser um escudo contra os vírus zika e chikungunya, afirmam pesquisadores brasileiros. Por enquanto, os testes foram realizados in vitro, mas os dados abrem caminho para a busca de novas estratégias terapêuticas contra ambos os parasitas. No momento, só é possível combater a transmissão ou minimizar os sintomas.

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