Mulheres também passam zika, alerta EUA

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(O Globo, 15/07/2016) Foi registrado em Nova York, aumentando o temor sobre o vírus.

O zika continua a causar surpresas negativas. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) anunciou ontem a descoberta do primeiro caso de transmissão sexual do vírus de uma mulher para um homem. O caso foi registrado em Nova York. E, destaca o CDC, aumenta o temor de que a doença possa se espalhar mais ampla e rapidamente.

Registrado em 11 países, o contágio sexual do zika de homem para mulher (há um caso de um homem para outro) tem se mostrado mais frequente do que o suposto. O vírus pode sobreviver no sêmen por mais de dois meses. Porém, não se considerava provável que ele pudesse ser passado de uma mulher para um homem. No Brasil, é quase impossível identificar casos de contágio sexual, devido à alta infestação pelo mosquito Aedes aegypti.

Embora nenhum caso de transmissão de mulher para mulher tenha sido registrado, o CDC recomendou que parceiras de grávidas tomem os mesmos cuidados que os homens. Isto é, evitem relações sexuais durante a gravidez.

Especialistas já suspeitavam que o zika tivesse outras formas de transmissão. Isso ajudaria a explicar a rapidez com que o vírus se espalhou desde 2015. Hoje, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia alcança 65 países e territórios.

O diretor-geral do CDC, Thomas Frieden, disse que, quanto mais se aprende sobre o zika, mais preocupados ficam os cientistas. Frieden lembrou que os casos de crianças com distúrbios neurológicos devido à infecção das mães são tragédias que devem ser evitadas a todo custo.

O caso anunciado pelo CDC é o de um casal de cerca de 20 anos. A mulher viajou para um país (não divulgado) onde há epidemia de zika. O homem não deixou os Estados Unidos no último ano, também não foi picado por mosquito ou teve sexo com outras mulheres. A jovem já desembarcou em Nova York com sintomas de zika, como dor de cabeça e cólicas.

Nesse mesmo dia, ela teve relação sexual com seu parceiro. No dia seguinte, a mulher teve febre, fadiga, vermelhidão pelo corpo, dores nas costas e inchaço de pés e mãos. Assustada, procurou um médico, que coletou amostras de sangue e urina. O zika foi detectado, mas não havia anticorpos, um sinal de que a doença ainda estava no estágio inicial. Em geral, o corpo começa a produzir anticorpos cerca de cinco dias após a infecção.

CONJUNTIVITE, DORES E FEBRE

Uma semana após fazer sexo com a parceira, o homem teve vermelhidão, conjuntivite, dores e febre. Foi ao mesmo médico, que enviou material para exame. O zika também foi encontrado em seu sêmen e no sangue.

A comissária de Saúde de Nova York, Mary T. Bassett, disse a agências de notícias que dois fatores podem ter facilitado o contágio. Primeiro, a mulher estava no início da doença, quando a carga viral é mais alta. Além disso, estava menstruada.

Porém, Mary Bassett destacou que o vírus pode ter sido propagado pelos fluidos vaginais e não pelo fluxo menstrual. Não se sabe por quanto tempo o zika permanece no fluido vaginal humano. Estudos com macacos já haviam apontado a presença do micro-organismo no fluido vaginal das fêmeas sete dias após a contaminação em laboratório.

O CDC frisou que a descoberta só aumenta as frentes de investigação sobre o zika.

Por Ana Lucia Azevedo

Acesse o site de origem: Mulheres também passam zika, alerta EUA (O Globo, 15/07/2016)

 

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