Especialistas alertam para riscos de inseticida lançado por aviões

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(G1/Jornal Nacional, 04/07/2016) Nova lei prevê uso de aeronaves no combate ao Aedes aegypti. Ministério da Saúde declarou que o uso de aviões é o último recurso.

Especialistas em saúde pública estão fazendo um alerta sobre o risco de se lançar inseticida de aviões para combater o mosquito Aedes aegypti. Entrou em vigor uma nova lei que prevê essa medida.

Nova arma contra o mosquito Aedes aegypti: aviões que lançam agrotóxicos nas lavouras, agora estão autorizados a jogar inseticida sobre as cidades onde o número de casos de dengue, chikungunya e zika for considerado preocupante.

A nova lei sancionada pelo presidente em exercício Michel Temer prevê o uso de aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida.

A lei contraria recomendação técnica do próprio Ministério da Saúde que apontou no mês de abril riscos para a população mais vulnerável para as águas, os alimentos e o desequilíbrio ecológico causado pela mortandade de outras espécies.

Várias associações e entidades ligadas à saúde pública se manifestaram contra a nova lei.

“A pulverização aérea nas cidades vai tornar todas essas pessoas expostas a quantidade de veneno que pode de fato desencadear doenças”, explica Karen Friedrich, toxicologista – Fiocruz.

O inseticida mais usado no Brasil para combater o mosquito Aedes aegypti é o malathion. Ele costuma ser pulverizado nos carros fumacê, em locais específicos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há evidências de que o malathion causa câncer em animais, mas não se confirmou até o momento o mesmo efeito em seres humanos. Além disso, novas gerações de mosquitos já seriam mais resistentes ao veneno, obrigando o reforço da dose ou o uso de outras substâncias ainda mais tóxicas.

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola diz que se baseia numa tecnologia internacional para aplicação do produto.

“Essa proposta nossa é a utilização dos equipamentos para maior rapidez e eficiência no controle do mosquito e utilizando produtos que sejam recomendados mundialmente”, destaca Julio Kämpf, presidente do SINDAG.

No lugar de aviões pulverizando inseticidas nas cidades, sanitaristas e profissionais de saúde defendem mais investimentos em saneamento básico, erradicação dos lixões e outras medidas de combate aos mosquitos sem riscos para a população.

“Está se prolongando a meta de atingir saneamento básico para toda a população brasileira para além de 2050. Isso é extremamente grave, que é uma medida resolutiva que poderia contribuir para o controle dessa doença e de muitas outras, e nesse caso sim, uma medida de uma política pública de promoção de justiça social”, diz André Burigo, sanitarista – Fiocruz.

O Ministério da Saúde declarou que o uso de aviões é o último recurso a ser adotado pra eliminar o Aedes aegypti. E reforçou que a medida depende de aprovação das autoridades sanitárias.

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