Vírus da zika encontrado nos olhos pode levar à cegueira, afirma estudo

566
0
Compartilhar:
image_pdfPDF

Conclusão é de um estudo publicado nesta terça (6) na revista americana “Cell Reports”, que descreve os efeitos da zika nos olhos dos fetos de ratos

(Folha de S. Paulo, 06/09/2016 – Acesse no site de origem)

O vírus da zika pode permanecer nos olhos –é o que revelam testes em ratos, que poderiam explicar o motivo pelo qual pessoas infectadas desenvolvem doenças oftalmológicas, podendo, em alguns casos raros, levar à cegueira.

A conclusão é de um estudo publicado nesta terça (6) na revista americana “Cell Reports”, que descreve os efeitos da zika nos olhos dos fetos de ratos, de camundongos e de animais adultos. Os cientistas pretendem completar seu estudo com pesquisas em humanos.

“Nossa pesquisa sugere que os olhos podem ser um reservatório para o vírus Zika”, explica o dr. Michael Diamond, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, Missouri, coautor do trabalho. “Devemos verificar se pessoas infectadas pelo zika têm o vírus nos olhos e por quanto tempo ele pode ficar ali”, completou.

Nos adultos, o vírus da zika pode provocar conjuntivite, uma irritação dos olhos e, em alguns casos raros, uveíte, que pode levar à cegueira irreversível.

Para determinar os efeitos para os olhos, os cientistas infectaram, em especial, ratos adultos na pele, reproduzindo uma infecção transmitida pela picada de mosquito. Eles detectaram o vírus da zika vivo nos olhos dos roedores sete dias depois.

Ainda não se sabe se o vírus atravessa, de modo sistemático, a barreira protetora que separa a retina do olho do restante da circulação para se propagar ao longo do nervo óptico, ligando o cérebro aos olhos, ou se busca outros caminhos.

Uma infecção nos olhos por esse vírus abre a possibilidade de que pessoas possam ser contaminadas por um simples contato com lágrimas. Os pesquisadores detectaram uma assinatura genética da zika no líquido lacrimal de ratos infectados até 28 dias após a infecção. Neste caso, porém, o vírus não estava vivo.

Compartilhar: