Especialistas pedem mais investimento para melhorar atenção à saúde de gestantes

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(Agência Brasil, 28/05/2015) A morte da jovem Rafaela Cristina de Souza, de 15 anos, ao dar à luz em uma maternidade da prefeitura do Rio de Janeiro, em abril, voltou a pautar o debate sobre os altos índices de morte materna no país. Ela morreu de eclâmpsia – o que poderia ter sido evitado caso a pressão alta tivesse sido detectada durante o pré-natal. A redução desses óbitos em 75% até o fim deste ano é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que o Brasil não conseguirá alcançar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de óbitos maternos em 2010 era 68 para cada 100 mil habitantes. Para alcançar a meta, o país precisava chegar a 35 óbitos por 100 mil até o fim de 2015. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza uma taxa de 20 mortes por 100 mil.

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Neste Dia Nacional de Luta pela Redução da Morte Materna (28), especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o acesso ao sistema de saúde por mães e gestantes melhorou no país, mas que é preciso investir no atendimento para garantir mais qualidade.

A representante auxiliar do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), Fernanda Lopes, que acompanha o tema, afirma que as principais causas diretas de morte materna são evitáveis, como a hipertensão, as hemorragias, as infecções e o aborto inseguro. Mesmo assim, esses foram os motivos de 40% das mortes de gestantes no Rio de Janeiro, em 2013, segundo o Comitê Estadual de Morte Materna. Ela recomenda como estratégia para redução de mortes o treinamento de equipes em práticas humanizadoras.

“É preciso aprimorar os investimentos para enfrentar as causas que determinam as mortes, [investir] nos profissionais que estão mais ligados aos cuidados com a gestante, orientados por princípios de direitos humanos, mais acesso à informação às mulheres e suas filhas”, citou.

Ela lembra que a morte materna está entre a dez maiores causas de morte de mulheres em idade reprodutiva e pode ser considerada uma tragédia. “Mais de 90% dos partos no Brasil são em hospitais, então, é preciso mais investimento no momento do parto”, cobrou.

Apesar de avanços como a Rede Cegonha, lançada pelo Ministério da Saúde em 2011, a representante do UNFPA reconhece que as consultas de pré-natal são falhas e que muitas mães chegam ao fim da gestação sem saber onde vão ter o neném. “Ainda temos mulheres que peregrinam [em busca de unidade de saúde]. A regulação de leitos também é um problema. A mulher ou a adolescente grávida tem que ter uma maternidade de referência”, destacou, lembrando que esse deveria ser um dos pontos centrais do programa. O ministério não comentou as críticas.

Nos últimos anos, o Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Mortalidade Materna e Perinatal do Rio de Janeiro propôs estratégias para diminuir os óbitos. No último relatório, a entidade recomenda o aumento de profissionais na rede, para que atendam, no máximo, 12 gestantes por turno, a identificação precoce de situações de risco e a vinculação do pré-natal à maternidade.

A coordenadora do comitê, Tizuko Shiraiwa, alerta também para a necessidade de que o Poder Público dê atenção às análises e aos pareceres da entidade. “O comitê investiga o caso, vê o que aconteceu e emite recomendações [aos gestores]”, destaca Tizuko. Em 2013, o órgão contabilizou a morte de uma grávida a cada dois dias no estado.

Acesso facilitado a métodos anticoncepcionais e à contracepção de emergência, além de acolhimento diferenciado a mulheres com gestação indesejada, na rede de saúde, também constam de documento divulgado em maio pelo comitê no Fórum Perinatal do Rio.

Isabela Vieira; Edição: Lílian Beraldo

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