‘Fui contratada grávida’: os casos que desafiam ‘tabu’ de empregar gestantes e mães

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(BBC  | 04/09/2021 | Por Paula Adamo Idoeta)

Quando compartilhou a notícia de que havia sido contratada por uma nova empresa mesmo estando grávida de mais de 20 semanas, a contadora gaúcha Betina Brina Teixeira recebeu olhares incrédulos até mesmo de mulheres.

“Me perguntavam: ‘te contrataram mesmo? Não é um emprego temporário?'”, conta. “Me chamou a atenção que isso não foi normalizado. Ainda causa um choque.”

Betina, que iniciou há dois meses sua nova posição na contabilidade de uma fintech (empresa provedora de produtos financeiros digitais) e concilia o trabalho com as semanas finais da gestação, contou sua conquista profissional em um post na rede social corporativa Linkedin:

“CONTRATADA GRÁVIDA??? SIMMMM! Ser mulher no mercado de trabalho é desafiador, infelizmente ainda existe uma ‘provação’ extra que precisamos fazer, pelo simples fato de ser. Ser mulher e gestante, aí é um tabu gigante. A maternidade e o mercado de trabalho ainda estão construindo um relacionamento, aos poucos as pessoas vão mudando a mentalidade e provavelmente esse tipo de situação ‘constrangedora’ irá virar história”, escreveu, comemorando a “recepção acolhedora” que recebeu de seus novos empregadores e colegas de trabalho.

A postagem teve mais de 25 mil curtidas e 740 comentários.

“E nesses comentários muitas mulheres contaram o inverso (da minha história), então a gente nota que existe um preconceito muito grande quando a gente se torna mãe.”

Caroline dos Santos Gomes, de São Paulo, foi chamada para um novo emprego na área de governança em TI na mesma semana em que descobriu sua gestação, ainda no início. “Quando avisei a empresa e a resposta foi ‘não tem problema nenhum’, eu me senti muito valorizada, ainda mais se tratando de gestores homens que eu ainda não conhecia”, conta ela, agora em sua 15ª semana de gravidez e nos primeiros meses em seu novo trabalho.

“Vi que fui avaliada pelo meu potencial na empresa, e tem sido assim até hoje”, prossegue. “Quando tornei públicas a contratação e a gravidez, vi que não era um caso isolado na empresa e torço para que outras empresas ampliem sua visão, de que o que elas precisam é da profissional em si.”

De um lado, em redes como Linkedin e Instagram, estão mais comuns relatos de mulheres que, como Betina e Caroline, celebram contratações em plena gravidez – e justamente em um período de desemprego alto.

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