Movimento feminista e médicos estão contra novas regras para cesarianas

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(O Sul, 12/01/2015) As novas regras de estímulo ao parto normal para os associados aos planos de saúde, divulgadas na semana passada, preveem que as operadoras não serão mais obrigadas a pagar por cesarianas desnecessárias. Apesar de a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) julgar que esta é a opção pela saúde da mulher c do bebê, movimentos feministas e o Conselho Federal de Medicina acham que a nova regra fere a autonomia da mulher na escolha do parto.

O diretor adjunto da diretoria de produtos da ANS, João Barroca, acredita que o direito à escolha deve ser relativizado diante do direito à saúde. “Ninguém vai contra a cesariana, desde que haja indicação do procedimento cirúrgico. A opção é pelo direito à saúde”, defendeu. Para ele, aos poucos, a cultura do parto natural ganhará mais força no País. As operadoras de plano de saúde apoiaram as novas regras.

A ideia é que, em pouco menos de seis meses, quando a Resolução Normativa 368 começar a ser obrigatória, o parto normal será a regra, enquanto as cesarianas só serão feitas com indicação clínica, quando há riscos para o bebê ou para a mãe. Atualmente, o índice de partos cirúrgicos na saúde suplementar é 84%, enquanto na rede pública não passa dc 40%. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o índice de cesáreas não ultrapasse os 15%.

Segundo o Ministério da Saúde, a cesariana, sem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê, aumentando em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e três vezes o risco de morte da mãe.

Com a vigência da norma, os médicos terão por regra que preencher um documento que relata a evolução do trabalho de parto da mulher, e. caso não haja condições para o parto normal, estará registrado o motivo. Este documento será necessário para que o médico seja pago pela operadora do plano de saúde, mas, em casos de urgência e em que a cesariana é recomendada, anteriormente ao trabalho de parto, o médico poderá justificar.

Segundo o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, há mulher que, por motivos pessoais, escolhem ter o filho por cesariana. Nesse caso, dar o direito de o plano de saúde não pagar pela cirurgia agendada, é violar a autonomia da mulher. “Como negar à mulher o direito dela escolher como quer ter o filho?”, indagou.

Ele reconhece que o índice de partos cirúrgicos no Brasil precisa cair, porém, mesmo assim, ele avalia negativamente a nova resolução. “[Para estimular o parto natural] precisamos de pré-natal de qualidade, que os planos de saúde tenham clínicas obstétricas com equipes de plantão, é preciso ter condições”, afirmou.

O vice-presidente reconhece que há médicos que optam por fazer o parto cirúrgico por comodismo, pois, enquanto este é agendado e rápido, o normal pode acontecer a qualquer momento, e, muitas vezes, levar horas para a conclusão. Para Ribeiro, o governo está responsabilizando injustamente os médicos pelo alto índice de cesarianas, e deixando de lado pontos importantes como a falta de uma estrutura que estimule o parto natural.

Acesse o PDF: Movimento feminista e médicos estão contra novas regras para cesarianas (O Sul, 12/01/2015)

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