03/05/2011 – Brasil deve passar a ser doador ao Fundo Global Contra a Aids, diz diretor

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(O Estado de S. Paulo) O Brasil precisa passar da condição de receptor de ajuda internacional para ser um doador, defende Michel Kazatchkine, diretor do Fundo Global de Luta Contra a Aids, Tuberculose e Malária, a maior entidade de financiamento de projetos no campo da saúde no mundo, com recursos da ordem de US$ 30 bilhões.

Com a crise da dívida nos países ricos e reduções importantes de doações da Espanha, Itália e outros tradicionais doadores, o Fundo sai em busca de novos financiadores. Em entrevista ao Estadão, Kazatchkine diz que Brasil, Índia e China devem começar a pensar em adotar metas mínimas de doações, assim como foi estabelecido nos países ricos há cerca de 20 anos. “Não acho que é sustentável que esses países fiquem de fora do financiamento da solidariedade global, dado a riqueza que eles geram”, disse.

Desde sua criação, há dez anos, o Fundo aprovou US$ 48 milhões em recursos para o Brasil combater a malária e a tuberculose. Agora, o diretor cita a Rússia – que reembolsou os fundos que recebeu – como um exemplo a ser seguido pelo governo de Dilma Rousseff. “A Rússia é o país que criou um precedente. Em 2007, decidiu reembolsar o que havia recebido. E isso foi quase US$ 300 milhões. Além disso, fez promessas de doação de outros US$ 60 milhões”, explicou Kazatchkine.

“Em setembro de 2010, quando estive com o (ex-chanceler Celso) Amorim, ele me disse que o mínimo que o Brasil poderia fazer era agora reembolsar o Fundo no valor que recebeu, assim como os russos fizeram em 2007.”

Reunião em São Paulo
A partir do dia 28 de junho, o Fundo realiza em São Paulo uma reunião para desenhar a estratégia da entidade no combate à Aids, tuberculose e malária até 2016.

Kazatchkine elogiou o governo brasileiro. ” O Brasil está altamente envolvido na cooperação Sul-Sul. Exportou seu know-how em produzir remédios e treinamento de médicos”, disse. “Mas isso não é suficiente para ajudar pessoas a ter acesso a remédios. Hoje, o tratamento no caso da Aids chega a apenas 40% dos pacientes no mundo. Outros 60% ainda precisam de acesso. Precisamos de dinheiro, e se há um mecanismo de financiamento que mudou de fato a trajetória da epidemia no mundo nos últimos anos foi o Fundo Global”, acrescentou.


Leia na íntegra: Fundo Global de Luta Contra a Aids quer Brasil como doador (O Estado de S. Paulo – 03/05/2011)  

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